quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O SUCESSO É 1% DE INSPIRAÇÃO E 99% DE TRANSPIRAÇÃO


Quando comecei a minha carreira em Recursos Humanos, eu tinha um chefe que costumava repetir a frase: o sucesso é 1% de inspiração e 99% de transpiração.

Se você quer ter sucesso, precisa ralar bastante, trabalhar muito e as coisas acabam acontecendo. Muita gente acha que precisa ter sorte na vida, mas eu acredito que, quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho.... A inspiração é importante. Saber escolher um bom trabalho, uma carreira promissora, identificar oportunidades onde ninguém viu, tudo isso é muito importante. Entretanto, nada acontece se não tiver essa inspiração e não correr atrás para realizá-las. As coisas que se deseja, sonha, acredita, só se realizam se forem colocadas na prática ou executadas.

Muitas vezes fico preocupado com os modelos que passamos para os jovens sobre sucesso na vida. Um ídolo do esporte que é bem jovem e que demostra sinais claros de riqueza, leva muitos jovens a acreditarem que é muito fácil, ter sucesso e ganhar muito dinheiro. Passa a ideia de que não precisa muito esforço ou persistência para chegar lá e que é meramente uma questão de sorte para as coisas acontecerem. A realidade da vida é bem diferente dessa. Há sim exceções, com pessoas extremamente talentosas em áreas de muita visibilidade, como o esporte e as artes, e que têm um sucesso meteórico. Esses casos, ao contrário do que muita gente pensa, são exceções à regra. A grande maioria das pessoas, mesmo nessas áreas de muita visibilidade, sucumbem pelo caminho.

Para os seres humanos normais como você e eu, o caminho é da batalha, da dedicação, do desenvolvimento, para conquistar um lugar ao sol. É enfrentar as dificuldades, se superando a cada dia e conquistando, pouco a pouco, o espaço profissional que deseja. No começo da carreira, geralmente é mais difícil para o jovem conseguir focar e seguir adiante. Muitas vezes não tem a experiência exigida, ou o preparo para as oportunidades que aparecem. Também é comum nesta fase perder um pouco o foco, na busca de fazer algo que se deseja e que se sinta realizado. Comumente costuma estar no caminho certo, mas acaba desistindo antes do tempo. Como se diz popularmente, a mente desiste antes do corpo. O sucesso profissional depende em boa dose da persistência para superar as fases difíceis, que aparecem. Neste momento, a transpiração ajuda muito mais do que a própria inspiração. Passada esta fase, as coisas ficam mais fáceis para seguir adiante.

Em cada etapa da vida pessoal e profissional existirão momentos difíceis que vão requerer algum esforço extra, mais dedicação para que as coisas voltem ao seu curso normal. A beleza de tudo isso é que são oportunidades para as pessoas exercerem a sua experiência, competência e o comportamento adequado para cada situação. No momento atual, a transpiração está ganhando da inspiração. A conjuntura difícil obriga todos a terem um cuidado extra para não esmorecer. Quem está empregado tem que cuidar bem do seu emprego, trabalhando duro, mantendo um bom desempenho, para assegurar que a empresa continue tendo resultados positivos. Aqueles que tiveram a infelicidade de perder o emprego, por alguma razão que foge do seu controle, também têm que correr atrás das novas oportunidades, estejam elas onde estiverem. Portanto não tem tempo fácil e tão pouco difícil se encararmos tudo isso como parte da vida. A persistência e a resiliência são as maiores armas que temos para superarmos os desafios que a vida nos apresenta. Algumas vezes estes desafios são mais de ordem profissional, outras vezes de ordem pessoal. Esta combinação de inspiração com transpiração é que nos ajuda a encontrar o caminho e a saída para os problemas. É ilusão imaginar que só com inspiração conseguiremos resolver as coisas. Seria muito fácil... A grande verdade é que, se consultarmos as pessoas que superaram e tiveram êxito enfrentando os seus desafios, certamente falarão que tiveram mais transpiração do que inspiração, e o que importa é que encontraram uma saída e tiveram sucesso.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

QUAL É O SEU PODER DE INFLUÊNCIA E PERSUASÃO?

Vivemos sob o domínio da negociação em tempo integral, tanto na vida pessoal como profissional. Cada vez mais nos é exigido a capacidade de negociação, de convencimento, de flexibilidade, de relacionamento, nunca vivido por outras gerações. A Liberdade e a democracia trazem dentro da sua própria definição, essas características, mas para isso as pessoas precisam estar muito bem preparadas. Tomemos como exemplo a vida pessoal de um casal. A negociação deve ser praticada todos os dias, especialmente com os filhos. A autoridade imposta foi substituída pelo diálogo, que obviamente se mostrou muito mais eficiente e eficaz no processo educacional.

Sou do tempo em que um Professor na escola, tinha autoridade para se impor perante os alunos, de forma monocrática, sem que ninguém se atravesse a discutir ou debater com ele. A disciplina dos alunos era seguida à risca em virtude da autoridade formal do professor. Hoje se um professor não tiver jogo de cintura, e alta capacidade de diálogo com os seus alunos, possivelmente não conseguirá ter resultado numa sala de aula. Em alguns casos, especialmente em escolas públicas, vemos até uma radicalização de alunos, que não respeitam os mestres. Por sorte estes casos são exceções, mas demonstram o contexto que vivemos nos dias de hoje.

Na vida profissional a situação ainda é mais complexa. Hoje é comum, especialmente nas grandes empresas, a pessoa ter mais de um líder. Um é o chefe administrativo, o outro é o funcional, o outro é do projeto, e assim por diante. Também é comum nas empresas, o profissional ser destacado para liderar um projeto, porém ele não tem nenhuma autoridade formal sobre aquelas pessoas que farão parte do time. Quem já passou por isso sabe o quanto difícil é fazer as coisas acontecerem apenas utilizando as competências técnicas e pessoais, para convencer as pessoas.

Todos estes exemplos nos levam a refletir sobre a importância da capacidade de influenciarmos as pessoas, bem como sermos também influenciados. É por esta razão que as empresas hoje se preocupam muito em avaliar e desenvolver os comportamentos, tanto quanto as suas competências. O indivíduo que tem baixo poder de influência, certamente será muito mais liderado por outros do que liderará, seja na vida pessoal ou profissional. É possível desenvolver o poder da influência, desenvolvendo a capacidade de simpatia, empatia, negociação, relacionamento, e etc. Cada vez mais está sendo exigido das pessoas essas características. Talvez até por isso as profissionais mulheres estão se desenvolvendo mais rápido do que os homens. A natureza delas é mais propícia para estas condutas do que a dos homens. Os homens em geral são mais educados para serem “assertivos”, e se não cuidarem, o que é assertividade passa a ser autoritarismo. As mulheres são mais direcionadas para o diálogo, para a conversa e argumentação. Essas características estão favorecendo as mulheres em várias áreas do desenvolvimento humano.

A pergunta que fica no ar é a seguinte: Como poderei persuadir outras pessoas se eu não desenvolver a minha capacidade de influenciar e ser influenciado? Na minha visão é impossível. Eu preciso desenvolver este e outros atributos pessoais para que eu possa persuadir as pessoas. Uma característica importante neste cenário é a Empatia. A capacidade de se colocar no lugar do outro. Um exemplo prático desta situação: Eu sou Líder de um projeto internacional, onde participam várias pessoas, mas eu não tenho autoridade formal sobre nenhuma delas. Este projeto requer muita dedicação, esforço e tempo, para que os resultados sejam alcançados, bem como o trabalho em time. A única forma de fazer esta equipe trabalhar bem, é criar um ambiente onde todos influenciam e são influenciados, e que seja possível ter um bom nível de competência, empatia, e relacionamento permitindo persuadi-los em uma determinada direção.

Influência e persuasão são competências chave para se ter sucesso na vida pessoal e profissional nos tempos de hoje.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

QUAL É O SEU LIMITE PARA ATINGIR O SUCESSO?


O que é sucesso para cada um de nós, seja na vida pessoal ou profissional? Tenho um amigo que usa uma expressão que acho muito boa. Diz ele: “ o mais importante na vida não é onde a pessoa chegou, mas de onde ela veio”. Para mim faz todo sentido. O progresso tem que ser medido de alguma forma, pelo sucesso que a pessoa alcançou ao longo da sua trajetória, seja na vida pessoal ou profissional.

Refletir as etapas da nossa vida a respeito disso, creio que seja muito saudável e ajuda as pessoas a manterem a sanidade mental. Conheço pessoas que não têm limite para se sentirem realizados nas suas conquistas. Vivem sempre querendo mais, e nunca se acham felizes. É quase um processo neurótico, como se fosse um vício. Vale dizer que não quero aqui limitar e nem julgar a ambição de cada um. Li em algum lugar desses da vida que a fórmula para a felicidade é a seguinte: Felicidade= Realidade – Expectativa. Ou seja, se a realidade for maior que a expectativa, o resultado é positivo. Por outro lado, se a expectativa for maior que a realidade, o resultado será negativo, e levará a uma frustração.

Se adotarmos este conceito como verdadeiro, poderemos alinhar mais a nossa ambição, e por consequência encarar a expectativa de uma forma mais realista. Além disso, sucesso é uma palavra muito ampla. Para cada pessoa tem um significado diferente e não dá para padronizar. Depende muito do que cada um valoriza, busca ou ambiciona na vida. Existem pessoas que são mais materialistas, outras mais espiritualistas, mais naturalistas e assim por diante.

Também na minha visão, há uma armadilha muito grande, que leva as pessoas a serem muito infelizes, traduzida num ditado popular que é: “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Aqueles que ficam se comparando com os outros o tempo todo, querendo ter os mesmos bens ou regalias, na verdade se iludem achando que isso os deixará feliz, quando na realidade, isso não acontece. O que para alguns pode fazer sentido, para outros gera um vazio, porque os significados da aquisição são diferentes para um e outro. A felicidade da conquista e da realização é muito pessoal e particularizada. Na verdade, é ótimo que seja assim, pois isso permite que cada pessoa, a seu modo e dentro dos seus limites, possa ser feliz.

Na vida profissional também acontece muito esta discussão do que é ter sucesso, e se realizar profissionalmente. Quando eu entrevistava jovens talentosos e muito ambiciosos e os perguntava aonde gostariam de chegar, a resposta era quase sempre a mesma: “ Quero ser o Presidente da empresa”. Obviamente que muitos respondiam isso sem convicção, mas apenas para mostrar que tinham ambição. No fundo, uma grande bobagem, até porque poucos chegarão a competir e ser de fato o Presidente da empresa. Muitas são as variáveis na vida para alavancar estas posições profissionais. Poucas pessoas que conheci tinham de fato a competência, a ambição e o desejo para chegar lá. O preço do sucesso na carreira, muitas vezes é mais alto do que imaginam. É o ônus versus o bônus. Só vale a pena correr atrás de uma posição como esta, se houver um conjunto de fatores, profissionais e pessoais que estejam realmente alinhados, e que façam a pessoa feliz.

Tem muita gente carreirista na vida profissional, que quer subir na vida a qualquer preço. Vale tudo para alcançar os seus objetivos. O problema é que depois percebem que todo o “pseudo sucesso” obtido, não vale a pena. Não as fez mais feliz ou realizada. Portanto a meu ver, na vida profissional, cada pessoa deve definir com clareza o que a fará feliz, através das suas conquistas, independentemente de onde poderá chegar. Para cada um o sucesso profissional tem sentido muito próprio e especifico. O que vale para um não necessariamente vale para o outro. É isso que faz essa vida ser interessante e especial.

Então qual é limite para o sucesso? Será que tem um limite? Talvez não, até porque este limite será diferente para cada um de nós. Entretanto, um fato é verdadeiro: sucesso é ser feliz. Só vale a pena ou faz realmente sentido quando nos sentimos plenamente realizados. Cada pessoa deve encontrar dentro sua ambição e possibilidade, qual é o seu limite para atingir a felicidade plena.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O DESAFIO DA LIDERANÇA DA MULHER: TETO DE VIDRO OU LABIRINTO


Como diretor de Recursos Humanos e hoje consultor em Gestão em Pessoas, tive oportunidades de trabalhar com muitas mulheres na minha equipe, como colegas de trabalho e hoje como Coach de várias executivas mulheres. Quando participei do Comitê Latino Americano do Desenvolvimento de Liderança Feminina na Bristol Myers Squibb, o principal objetivo era acelerar o desenvolvimento da liderança feminina na empresa.

É notório a evolução profissional das mulheres nos últimos 30 a 40 anos. Ao longo desse tempo as mulheres se desenvolveram tanto no campo acadêmico como profissional para cada vez mais assumirem posições mais relevantes nas Organizações. Por outro lado, as empresas também buscaram no perfil das mulheres, as profissionais que fazem hoje mais sentido para a sua cultura, e para o seu negócio. Por exemplo: a mulher, por característica, é mais detalhistas e gosta de trabalhar em grupo. Essa natureza hoje é fundamental para o sucesso das Organizações.

Ao longo do tempo, além das mulheres se prepararem para assumirem mais responsabilidades nas organizações, encontravam uma dificuldade adicional que ficou caracterizado como o “Glass Ceiling” ou o “Teto de Vidro”. O que vem a ser isso? Como o mundo dos negócios sempre foi mais “machista”, as mulheres começaram a ter dificuldades de quebrar este “Teto de Vidro”, para assumir posições de maior nível nas Organizações. Elas tinham que se esforçar e se dedicar mais do que os homens para provarem que estavam preparadas para essas funções mais relevantes de Liderança nas empresas. Essa situação perdurou por muitas décadas e certamente ainda deve perdurar em algumas empresas ou mesmo em muitos Países.

Hoje muitas mulheres já conseguiram “quebrar” este teto de vidro, embora com certeza, ainda muito longe do nível ideal. Quer uma prova? É só avaliar a Liderança sênior das Organizações e verificar a quantidade de mulheres versus homens. Com raras exceções vamos encontrar ainda muito mais homens nessas posições do que mulheres. Outro sinal é ver o número de CEOs mulheres no mundo versus homens. Portanto, existe um longo caminho a seguir para haver um equilíbrio entre os gêneros masculino e feminino em posições de Liderança nas empresas. Especialmente se consideramos que 50% da população é feminina, e na maioria das Universidades do mundo, existe mais proporção de mulheres do que homens estudando.

Se abordarmos o aspecto remuneratório, é um outro capítulo à parte nesta questão. Apesar da evolução ao longo dos anos, as mulheres estão se deparando com um outro desafio que é o chamado “Labirinto Feminino”. O que vem a ser isso?

Apesar das mulheres terem uma natureza “multitask” ou multitarefa, que as diferenciam dos homens, elas vivem hoje num verdadeiro “Labirinto” para cuidar da sua vida pessoal e profissional. A várias funções, como ser mãe, profissional, esposa, filha, cuidar da casa, etc., está criando uma sobrecarga enorme sobre as mulheres. É verdade que os homens hoje ajudam muito em várias tarefas familiares, mas ainda tem muita coisa no colo delas.

Conheço várias profissionais mulheres que são excelentes líderes, mas que não querem assumir responsabilidades maiores por conta deste “Labirinto”. O nível de stress para elas torna-se insuportável, pondo em risco uma coisa que as mulheres mais prezam que é a “família”. As executivas top das Organizações precisam viajar muito, se ausentar da casa, dos familiares, e isso muitas vezes se transforma num pesadelo para elas. O risco é alto de acabarem os casamentos e a família ficar em segundo plano. O desafio deste “Labirinto” ainda é uma grande etapa a ser superada. As empresas, se quiserem ter mais mulheres nas posições top, vão ter que ajudar a encontrar o equilíbrio e as condições para que este balanço de vida profissional e pessoal seja adequado. Na minha opinião, é importantíssimo que as Organizações ajudem as mulheres a encontrarem a saída deste “Labirinto”.

Algumas sugestões para as empresas que certamente poderia ajudar as Executivas Mulheres:

- Horário Flexível

- Home Office uma ou duas vezes por semana, especialmente para aquelas com filhos pequenos até a idade escolar

- Convênios com creches ou reembolso de pagamentos de babás, e empregadas doméstica

- Licença de 1 ano após parto, podendo neste período trabalhar de casa. Após este período poderia trabalhar em casa 2 vezes por semana, até o filho completar 3 anos.

- Minimizar viagens, através de uso intensivo de comunicação via tecnologia

- Infraestrutura de cuidado feminino na empresa (Salão de Beleza, massagem, lavanderia, etc)

- Convênios com Supermercados, e afins para atendimento via internet

- Outros serviços  que possam facilitar a vida de uma Executiva mulher

Certamente o resultado será pessoas mais felizes e maior retorno para o negócio.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

PRECISAMOS DE LÍDERES SIMPÁTICOS OU EMPÁTICOS?


Esta semana participei de uma reunião de um dos Grupos de RH que eu faço parte e o tema foi “Empatia”. Foi uma reflexão muito interessante, e me esclareceu vários conceitos que eu tinha em mente. Além disso me fez refletir de uma forma mais ampla sobre a nossa própria cultura, no País e nas Organizações. Concluí que no Brasil e nas Organizações temos muitas pessoas e Líderes simpáticos, mas muito poucos empáticos. Sabe aquela coisa de Brasileiro que sempre é muito gentil, e fala para a pessoa aparecer em casa, mas nunca dá o endereço onde mora?

Do ponto de vista organizacional creio que também temos trabalhado de alguma forma o perfil do Líder de um jeito equivocado. É apenas uma opinião. Queremos Líderes mais humanos, menos autocráticos e porque não dizer, mais “simpáticos” nos seus relacionamentos com os pares e principalmente com os subordinados. Até aí tudo bem, e isso é notável porque aproxima as pessoas e facilita a comunicação. Entretanto eu creio que estamos deixando de lado um conceito muito importante que é do Líder Empático.

Apenas para conceituarmos o que estamos falando, a pergunta é: O que é Empatia? Uma definição bem simples é a seguinte: Se colocar no lugar do outro. Como podemos perceber, este conceito é muito mais complexo e importante do que apenas ser simpático, gentil, educado e não necessariamente se importando com o outro. Quando penso nisso, automaticamente me lembro de vários “Líderes Simpáticos”, mas que no fundo estavam apenas preocupados com o seu próprio sucesso, ou mesmo tentando sobreviver na vida corporativa.

Por esta, entre outras várias razões, é que nas empresas os Líderes deveriam dedicar mais tempo para dar feedback para os seus liderados, ou mesmo investir mais tempo na discussão do performance, desenvolvimento e carreira das pessoas. Se ser empático é se colocar no lugar do outro, não dá para um Líder ser diferente, sem se dedicar a aprofundar em apoiar os seus liderados, se colocando no lugar deles. Não adianta discutirmos Liderança de uma forma teórica e conceitual, se os Líderes não praticarem para valer a empatia com os seus liderados.

Se ampliarmos e analisarmos este conceito de forma mais ampla, também sinto que de alguma forma é isso que acontece em nosso País. Somos conhecidos no mundo inteiro por um povo alegre e “simpático”, entretanto convivemos com várias mazelas em nossa sociedade, como isso não fizesse parte da nossa realidade. Quando avaliamos quantos amigos temos de verdade, que fariam qualquer coisa por nós, possivelmente não completaríamos o número de dedos de uma única mão.

Em resumo, precisamos muito da empatia das pessoas para seguirmos adiante, seja no desenvolvimento das pessoas, de uma organização ou até mesmo de um País. Não basta ser “simpático a uma causa” se eu não faço nada por ela. E em se tratando de Liderança, estar presente na vida dos liderados, é ter certeza de que entende de fato o que o outro precisa, por se colocar no lugar dele. O Líder ao fazer isso além de ajudar os seus liderados, certamente estará aumentando o resultado da sua equipe, e por consequência do negócio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

SERÁ QUE É POSSIVEL TER ENGAJAMENTO SEM UMA CULTURA FORTE?

Hoje a pergunta que está na agenda dos gestores, CEOs, Presidentes e donos de empresa é: como engajar mais as pessoas na organização? Todos sabem que pessoas mais engajadas são mais produtivas, mais focadas no negócio, e mais dedicadas no trabalho. O desafio é como criar um ambiente de trabalho onde os indivíduos se comportem como verdadeiros “donos do negócio”. Não é facil mas é possível, e não tão complicado como aparentemente parece ser.

Se analisarmos as organizações milenares como as religiosas (seja qual for o credo), os militares, ou outras que perduram ao longo dos séculos, perceberemos um ponto comum a todas: uma cultura forte. Nenhuma organização sobrevive ao tempo se não tiver os seus valores e os seus princípios muito bem definidos e praticados pelos seus integrantes. É ou não é verdade?
O que une as pessoas e o que as fazem superar todas as dificuldades numa organização, é o seu alinhamento com os valores e princípios. Pode acontecer o que for, mas é isso que direciona as pessoas, e elas juntas praticam o que as une e que as tornam cada vez mais forte. O Nizan Guanaes fez um comentário recentemente num Congresso de RH, que tem tudo a ver com isso. Ele dizia: “ o que ajudou a acabar com o Império Romano, não foram as guerras, mas sim o Cristianismo”. “Como um império pode lutar contra pessoas que eram comidas por leões, por fidelidade aos seus valores e princípios”. Isto foi tão forte que perdura até os tempos de hoje. Claro que outros fatores e disputas também colaboraram para a derrocada do Império Romano.

No caso específico da religião Católica, e tomando esta religião apenas como exemplo, o fato de Jesus Cristo ter 12 discípulos que junto com ele propagavam os valores e os princípios da religião, fizeram com que rapidamente a religião católica se propagasse e se firmasse como uma “Cultura” forte, tanto no Oriente como no mundo Ocidental. E naquela época não havia internet, facebook, e todas as modernidades que existem hoje, disponíveis para a comunicação.

O fato é que uma organização, seja qual for, que deseja se perpetuar e ter os seus membros engajados, precisa ter uma “Cultura Forte” e essa só acontece se houver engajamento das pessoas com os valores e princípios da organização. Isso não ocorre de uma forma imposta, mas através do convencimento de que os valores e os princípios das pessoas têm alinhamento com os valores e os princípios da dita organização. Até do ponto de vista negativo isso funciona, como a Máfia, e outras organizações criminosas que existem. Por isso é tão difícil combatê-las pois as pessoas que a ela pertencem, compartilham dos mesmos valores e princípios que estas defendem, sejam positivos ou negativos.

Se a empresa quer de fato ter as pessoas engajadas no seu negócio, precisa fazer com que os Líderes sejam os portadores das mensagens e das ações relativas aos valores e princípios da cultura da organização. Neste caso vale muito mais o “comportamento e a ação” do que apenas as palavras, a propaganda, e os quadros de avisos etc. Está cheio de empresas por aí, que têm nas suas paredes quadros pendurados com palavras de ordem dos fundadores, valores e princípios, etc., porém não funcionam. Não funcionam porque os seus Líderes não praticam o que falam. É o famoso “Walking the Talking”. Ou seja, o que eu de fato o que eu falo é o que pratico. Por analogia, é o mesmo que acontece na casa das pessoas. Se os pais falarem de uma forma e se comportarem de outra, certamente os filhos não irão se comportar pelo o que ouviram, mas sim pelo o que viram. Todas as organizações funcionam exatamente da mesma forma.

Resumindo, não é possível haver engajamento adequado numa organização cuja cultura é mediana ou fraca. Quando uma empresa publica a sua visão, valores e princípios, todos têm que praticar para perpetuar o jeito de ser da organização. É isso que diferencia as empresas que conseguem engajar as pessoas, e que em geral, são muito bem sucedidos nos seus negócios.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

COMO EU ME PREPARO PARA UMA ENTREVISTA DE EMPREGO?

Uma entrevista de emprego tem muitas variáveis envolvidas, e cada entrevista é única. Cada empresa foca e enfatiza determinadas áreas, além disso é um processo subjetivo que envolve pessoas pelo lado da organização, e candidatos em busca de uma oportunidade do outro. É uma avaliação que envolve muita técnica, critérios lógicos e racionais, mas também aspectos pessoais como empatia, química, comportamentos, afinidades e etc. Por essas razões é muito difícil definir um padrão que possa valer para todos e para todas as situações. De qualquer forma tentarei explicar como geralmente este processo funciona, e quais são os critérios mais comuns utilizados neste processo. Conhecer esses detalhes pode ajudar muito um potencial candidato a se preparar melhor e se sentir mais seguro. Muitas vezes na minha vida profissional fui questionado pelas pessoas de como deveriam se comportar numa entrevista. A minha resposta era: Seja você mesmo. Nada supera a autenticidade neste processo. Não é possível interpretar um “personagem” achando que vai ter sucesso. Até porque, lembre-se que os entrevistadores profissionais fazem isso o tempo todo, e percebem com muita facilidade quando um candidato está tentando demonstrar algo que não corresponde à sua pessoa.

ENTENDENDO O PROCESSO SELETIVO
Basicamente este processo envolve 8 etapas: A primeira é definição do cargo ou função a ser preenchida. Na sequência é a preparação das informações e as respectivas aprovações. A etapa seguinte é relativa às fontes que serão usadas para buscar candidato. Em seguida são definidos os critérios e os processos de avaliação dos candidatos. Continuando o processo, os concorrentes são recrutados e identificados. Candidatos passam pelo processo de entrevista e avaliação. Candidato é selecionado e aprovado pelos contratantes. Por último é preparada a oferta de trabalho e apresentada ao aspirante selecionado. Como podemos ver entre a aprovação de uma vaga até a contratação propriamente dita, são várias fases e cada uma com a suas características e complexidades.

O PROCESSO DE ENTREVISTA
O principal objetivo da entrevista é predizer, com maior probabilidade, um bom desempenho no trabalho. Para isso, busca-se no passado do candidato evidências de como agiu em situações críticas ou desestruturadas. Utiliza-se de avaliação dos comportamentos passados para prever comportamentos futuros. Busca-se exemplos específicos. Avalia-se o que de fato o candidato fez e não o que faria em determinada situação. Que resultados obteve. Cada empresa em geral, tem um critério para conduzir o processo de entrevista, bem como define as Competências e os Comportamentos fundamentais que serão avaliados.

PASSO A PASSO DO PROCESSO DE SELEÇÃO
Análise do Currículo – Este é o ponto de partida de qualquer processo de seleção. O contratante fará uma análise cuidadosa do Currículo dos candidatos e procurará fazer uma triagem, daqueles que apresentam as melhores qualificações para a função. Por isso chamo o CV – conhecido como Curriculum Vitae, de “Catálogo de Venda”, pois se não despertar interesse no “Comprador”, nada acontecerá.

Postura na Entrevista – A forma como o candidato se comunica na entrevista é crítico para o sucesso do processo. Portanto além de estar muito bem preparado o candidato deve procurar manter a calma, e gerenciar a ansiedade. O controle emocional é importante para demonstrar segurança e autocontrole. Esta situação é particularmente difícil para as pessoas que estão desempregadas e necessitando muito de um emprego. O selecionado deve ter sensibilidade para entender isso.

Respondendo as Perguntas – Lembre que o contratante está buscando o melhor candidato para a função. Portanto este é um processo de “venda”. Entenda com clareza o que está sendo perguntado, e procure responder de forma objetiva e assertiva. Muitas pessoas, por conta da ansiedade, começam a falar sem parar, e não existe nada mais irritante para o contratante do que uma pessoa que fala sem respirar. Isso drena energia do contratante e não gera empatia. Portanto responda de forma clara, objetiva e sucinta. Também não economize demais ou seja lacônico, pois isso pode demonstrar falta de profundidade ou energia para comunicar-se.

Assuntos Relevantes – Num processo seletivo o contratante está interessado em saber os resultados práticos e o que o potencial candidato agregou de valor nas suas funções anteriores. Portanto foque as suas respostas nas realizações, nas metas alcançadas e nos resultados produzidos para as empresas onde trabalhou. Quem quer contratá-lo tem a expectativa de contratar alguém que irá agregar valor ao seu negócio e gerar mais resultados. Não perca tempo com descritivos de atividades que não agregam nada.

Autenticidade - É muito importante na entrevista que a pessoas seja ela mesma, e não tente demonstrar algo que não corresponda a ela. Isso não cola, e é facilmente percebido por um selecionador experiente. Quanto mais autêntica e sincera for a pessoa, ajudará a construir uma imagem de ética e integridade.

Informações do Contratante – Em preparação para a entrevista é fundamental que a pessoa se antecipe buscando informações a respeito da empresa contratante. Até para saber se é uma organização que a pessoa gostaria de trabalhar e fazer a sua carreira. Durante a entrevista e tendo oportunidade, demonstre que conhece a empresa contratante e formule perguntas adequadas, e ou esclarecedoras para a função que está concorrendo. As organizações apreciam candidatos que demonstram ter pesquisado a seu respeito e que vêm preparado para a entrevista, para fazer perguntas interessantes a respeito do seu negócio. Geralmente não é bem visto quando o contratante pergunta ao candidato se tem alguma pergunta, e o mesmo responde negativamente. A impressão que passa é despreparo ou desinteresse pelos negócios da contratante ou mesmo da oportunidade de trabalho. Demonstre garra e interesse pela proposta apresentada. Candidato bom, tem “sangue nos olhos” e “faca na boca”....

Resumo do Processo – Num processo seletivo alguns temas são os mais relevantes como segue:

- Background Educacional
- Experiência de Trabalho (Conhecimentos Específicos)
- Competências e Habilidades demonstradas
- Resultados e Metas Alcançadas
- Atitudes, Comportamentos e Caráter
- Outras atividades extra-curriculares ou familiares

Em geral são estes elementos que serão chave na escolha do melhor candidato para a posição em questão. Este resumo não esgota este tema, mas ficam aí algumas dicas críticas que podem ajudar. Uma boa preparação para um processo seletivo certamente aumentará significativamente as chances de sucesso.