quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O QUE VALE MAIS NA CARREIRA? BUSCAR OU AGARRAR A OPORTUNIDADE....

Se alguém me fizer essa pergunta, terei dificuldade em responder objetivamente. Eu tenderia dizer que as duas coisas são relevantes, mas na vida real, as coisas podem ser um pouco diferentes. Quantas vezes vemos pessoas que buscam e lutam por uma oportunidade e nada acontece? Isso me fez refletir a respeito do que é mais importante em se tratando de carreira: correr atrás dos sonhos, ou ficar atento para não perder as oportunidades que aparecem?

Nestes muitos anos trabalhando em gestão de pessoas notei algumas coisas que, de alguma forma, contrariam o conceito para se ter sucesso na carreira. Então tentarei resumir a minha visão em relação a este assunto:

1-   PREPARAÇÃO – Assim como na agricultura é preciso preparar a terra, adubar, plantar e só então poder colher, na carreira também ocorre algo parecido. É importante a pessoa se preparar ao máximo, do ponto de vista acadêmico e profissional para ser competitivo no mercado de trabalho. Não adianta achar que mandando uma pilha de CV ou falando com muitas pessoas, será suficiente. Não dá para vender uma mercadoria se ela não for boa ou muito bem elaborada. As vezes recebo alguns CVs indicados por amigos ou familiares, que não me permitem ajudar, devido ao despreparo.

2-   CONSTRUÇÃO – A carreira também se assemelha muito a uma obra. Quando se constrói uma moradia, é preciso encontrar um bom terreno, ou se necessário, fazer alguma preparação, etc. É indicado fazer um bom projeto, uma boa planta, para só depois começar a construção propriamente dita. O projeto de construção tem que, obrigatoriamente, passar por várias fases, desde o alicerce, paredes, telhado, hidráulica, elétrica até chegar ao acabamento. Usando esta analogia para a carreira, todas essas etapas são também válidas. O indivíduo precisa estar preparado para adquirir conhecimentos e experiências, e a partir de um alicerce profissional e pessoal bem feito, será possível seguir na construção de uma carreira sólida e com potencial de sucesso.

3-   UTILIZAÇÃO - Assim como na agricultura ou mesmo na construção, uma vez cumprida todas a etapas que mencionamos, a pessoa pode começar a usufruir do resultado. Não dá para cortar caminho em nenhuma dessas situações e nem mesmo na carreira, para alcançar o maior potencial e retorno do investimento realizado. A composição: preparo acadêmico, tecnológico, experiências, projetos e paixão, aplicados na prática, fará com que a pessoa fique cada vez mais preparada para as oportunidades profissionais.

O que me surpreendeu ao longo da minha vida profissional em gestão de pessoas, é que eu achava que depois de todo este preparo, bastava correr atrás da oportunidade e pronto. Isso é muito importante e crítico, mas o que notei é que a oportunidade é quem busca o seu candidato. Pode parecer estranha esta inversão, mas foi isso o que eu mais constatei acompanhando o desenvolvimento e o crescimento profissional de muitas pessoas. Vi muitas delas correndo atrás das oportunidades embora não conseguissem alcançar os seus objetivos. Existem várias razões, mas a principal, muitas vezes, tinha a ver com capacitação, preparação, e se tornar um “produto” desejado.

Quando a pessoa se prepara profissionalmente e pessoalmente, no sentido mais amplo, ela se torna um “produto” cobiçado por muitos. Se expor no mercado ou dentro de uma organização em busca de oportunidades é muito importante, mas muito mais difícil de se ter sucesso. Por outro lado, as pessoas bem preparadas e “produtos” altamente desejados, são procurados pelas “oportunidades”, seja dentro ou fora de uma empresa. As organizações, os amigos, os colegas de profissão, os headhunters, indicam essas pessoas quando existem boas oportunidades. A empresa é quem escolhe os seus candidatos para certas posições, e não o contrário. O mais importante para as pessoas é se preparem ao máximo na sua profissão e desenvolverem uma ótima reputação, de tal forma que a oportunidade venha ao encontro delas.

Entretanto, existe um outro desafio: a oportunidade não aceita desaforo. Muitos profissionais excelentes, acabam não tendo tanto sucesso porque não aproveitaram ou não aceitaram as oportunidades no momento certo. São muitas as razões: mudança de emprego, de empresa, de País, insegurança, acomodação, e por aí afora...

Por isso, fique atento as oportunidades que lhe buscam na vida profissional e, acima de tudo, esteja preparado para ser procurado por elas.



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O PODER DAS REGRAS NA INDUÇÃO DO COMPORTAMENTO


Não tem como existir uma civilização organizada, como o próprio nome a define, sem a existência de políticas, normas e regras bem definidas. Se observarmos este processo, isso também acontece em todas as religiões do mundo. Os comportamentos das pessoas são norteados pelas normas sociais, políticas religiosas, etc. Não há como governar uma nação se não existir regras bem definidas que valem para todos os cidadãos de um País. Se olharmos também para as organizações empresariais, de igual forma isto também ocorre. Não é possível se ter uma empresa minimamente organizada, se não houverem normas, politicas e regras bem definidas que orientam o comportamento de todos.

A questão que eu gostaria de refletir é o quanto essas políticas e normas induzem a conduta das pessoas, e por consequência, criam a cultura de uma país, de uma sociedade ou mesmo de uma organização empresarial. No campo da governança e da ética, parece que isso se torna ainda mais crítico. Não é possível definir o comportamento das pessoas, apenas levando em consideração o senso comum ou o bom senso. Esta é uma variável que cada pessoa tem uma métrica diferente, portanto muito difícil de padronizar, especialmente em função dos valores, crenças, ritos e hábitos.

A outra questão que eu também gostaria de refletir, e que parece ser bem real, é adoção ou a aplicação das políticas, normas e regras. A impressão que eu tenho é que quanto mais rígido for a aplicação, portanto não basta só ter regras e políticas bem definidas, maior é a possibilidade de sucesso e de organização de uma sociedade. De uma certa forma, isso implica em punições severas, ou consequências importantes quando essas regras não são respeitadas. Será que isso é um dogma da sociedade avançada, ou dita como desenvolvida? Tudo é muito bem definido, respeitado, controlado, para que o resultado coletivo seja alcançado. Parece à primeira vista, a razão do sucesso de Países Europeus, e do Continente Norte Americano.

Quando avaliamos o ambiente empresarial, parece que também faz sentido e é percebido que, quanto mais forte é a política e as normas, mais consistente e produtivo é o comportamento dos colaboradores. Se imaginarmos que uma cultura organizacional é formada pela somatória dos comportamentos das pessoas numa determinada organização, isso parece ter fundamento. Será que daria para afirmarmos que essas políticas, normas e regras induzem as pessoas a determinados comportamentos? Caso positivo, talvez as organizações devessem prestar mais atenção, ou até mesmo dedicar e preparar melhor a suas lideranças para entenderem e praticarem as políticas corporativas.

O dilema e quem sabe o paradoxo dos tempos modernos, é como encontrar um bom balanço entre as fronteiras das regras, versus a necessidade de ter flexibilidade para gerar criatividade e inovação. Todos sabemos que num ambiente muito controlado e padronizado dificilmente haverá muita geração de ideias e inovações, pois a regras acabam de alguma forma impedindo o livre pensar, e a tendência é ser mais conservador. Temos um grande desafio nas organizações, que precisarão da inovação para continuarem a crescer e serem competitivas, porém sem abrir mão das suas políticas e normas, que determinam o bom funcionamento e a consistência das decisões corporativas. Por outro lado, as pessoas precisam também compreender que seguir as regras é a alternativa para a sociedade organizada, viver civilizadamente.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O DESAFIO DOS TEMPOS MODERNOS


Ainda me lembro no final da década de 80 e início da de 90, quando decretaram o fim dos computadores de main frame, e introduziram os computadores pessoais, os famosos PCs. Na sequência foi criada a internet, e embalado neste avanço tecnológico também vieram os telefones móveis, conhecidos como celulares. Tudo isso aconteceu entre meados da década de 80 e 90.

Recordo que eu era Diretor de RH da Monsanto nesta época e decidimos comprar dois telefones celulares para experimentarmos a nova tecnologia. Um telefone ficou com o Presidente e outro ficou comigo, para entendermos melhor o uso deste equipamento. Era muito estranho imaginar que poderíamos andar para qualquer lado e ter um telefone disponível para fazer ou receber chamadas. Uma verdadeira revolução na comunicação estava acontecendo naquele momento, e não tínhamos a menor ideia de como isso iria impactar o nosso futuro.

Nos meados da década de 90 fui transferido como Diretor para trabalhar na Monsanto nos Estados Unidos, mais especificamente em St. Louis, com duas filhas adolescentes que estavam tristes por ter que deixar os amigos no Brasil. Chegando nos Estados Unidos, uma das principais aquisições que fiz foi comprar um PC e uma linha discada da internet- AOL. Aquilo foi um sucesso na família, que podia a partir de casa se comunicar com o mundo todo. Como ainda era uma tecnologia em desenvolvimento, sofria dos mesmos desafios da ligação telefônica, ou seja, muitas vezes não conectava ou caía a ligação, e assim por diante. Para a minha surpresa e da minha família, notamos que éramos os pioneiros a usar internet nos Estados Unidos nessa época. Ainda era algo que poucas famílias tinham acesso. No nosso caso, o fato de estarmos longe dos parentes e dos amigos, acelerou a adoção da nova tecnologia, o que foi muito bom.

Tudo isso que estou relatando aconteceu há pouco mais de 20 anos, foi uma revolução na vida das pessoas, e mal sabíamos que isso seria o embrião para a construção da era digital. A internet, o celular e o PC, na minha visão, poderiam ser comparados à descoberta da energia elétrica. Poderíamos dizer que é uma cadeia em evolução. A energia elétrica permitiu a invenção de vários equipamentos, entre eles os celulares, PCs, internet, etc., e estes permitiram hoje evoluirmos para a era digital.

Num primeiro momento, todas essas novidades nos assustam um pouco, e a sensação é de que não conseguiremos acompanhar esta evolução. Entretanto, rapidamente descobrimos os benefícios que estas tecnologias nos trazem e as conveniências que facilitam muito a nossa vida. O ser humano sempre procura fazer mais coisas num espaço menor de tempo. Desde que o mundo é mundo, talvez este seja um dos maiores objetivos da raça humana. Cada vez mais temos quantidades de tarefas e ocupações que só seriam possíveis de serem realizadas com o advento dessas tecnologias. Neste momento e no futuro próximo teremos uma evolução quântica das plataformas digitais, da robótica, e outras tecnologias similares, que trarão imensos benefícios para as nossas vidas.

A vida pessoal e profissional está se transformando, dia a dia, de forma radical e iremos enfrentar um período de transição, de volatilidade e de incertezas com a introdução acelerada dessas tecnologias. Nada diferente de quando o mundo entrou na era industrial, na era da informação, dos PCs, internet etc. O mundo digital não é o fim em si só, mas tecnologias que revolucionam a forma de como fazemos as coisas. A velocidade da transformação será diferente, mas também estamos mais preparados para lidarmos com isso. Não há como parar o progresso, especialmente quando este nos traz grandes benefícios.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

VOCÊ SABE QUAL É O FUTURO DO TRABALHO?


Quando tudo evoluía de forma progressiva e ordenada parece que jogaram uma bomba atômica no mundo do trabalho. Nunca vi tantas pessoas opinando como o mundo do trabalho será no futuro, quando nem mesmo entendem o que está acontecendo no presente. Estávamos todos muito acostumados com o modelo da era industrial e, aos poucos, estamos percebendo que este modelo não se aplica mais aos dias de hoje, e que dirá no futuro. A pergunta que fica no ar é: Será que as indústrias, os Bancos e os serviços deixarão de existir? A sensação, por tudo que lemos e discutimos, é que essas coisas desaparecerão, e isso não é verdade. O que se transformará e isso já está em curso, é como nos relacionamos com tudo isso. O fim não é a tecnologia em sim, mas como fazemos e faremos todas essas coisas, utilizando a tecnologia.

Muitas coisas no nosso dia a dia já se transformaram. Quem vai hoje numa agência bancária? Quem compra passagem de avião numa loja ou agência? Quantas compras hoje fazemos pela internet? Sejam livros, supermercado, utensílios domésticos, medicamentos, eletrônicos, etc. Ainda temos alguma resistência para comprarmos roupas, sapatos e itens de uso pessoal, mas muito em breve, com novas tecnologias, isso também será superado. Há quem diga que no futuro não haverá lojas em Shoppings como conhecemos hoje. Talvez estes centros comerciais virarão grandes praças de alimentação ou áreas de entretenimento e nada mais. Já existem supermercados no Brasil, onde as pessoas passam as suas compras por leitoras eletrônicas e fazem os seus pagamentos sem necessidade de ter uma pessoa no caixa para este serviço.

Em resumo, a tecnologia e as plataformas digitais estão tomando conta e facilitando o acesso, ou mesmo criando conveniências que facilitam a nossa vida. Quantas coisas ainda virão e que não temos conhecimento, mas certamente facilitarão as nossas atividades profissionais e pessoais. Por exemplo: A robótica ainda está engatinhando para uso doméstico e pessoal, mas podemos ficar certos de que em mais 10 ou 20 anos ela estará bastante presente nas nossas vidas em casa e no trabalho.

Falei de tudo isso, para contextualizar o que estamos vivendo e viveremos cada vez mais no futuro. E como ficarão os trabalhos e as funções daqui para frente? A transformação é tão grande que as pessoas estão assustadas por tudo que está acontecendo. Trabalhos e funções estão desparecendo da noite para o dia, ou se transformando de tal maneira e numa velocidade tão grande que não está permitindo as pessoas se prepararem para enfrentarem essas mudanças. Devido à minha profissão em Gestão de Pessoas, convivo com profissionais de várias áreas e participo de vários fóruns sobre o assunto. Existe muita discussão, mas a verdade é que ninguém sabe o que irá acontecer de verdade no mundo do trabalho. Talvez isso seja o motivo de maior desconforto na sociedade moderna. Que carreira você aconselharia o seu filho escolher e com grandes chances de sucesso no futuro? Que profissão será mais demandada daqui a 10 ou 20 anos? Será que aquelas áreas que conhecemos hoje existirão daqui a 5 ou 10 anos? Quem pode afirmar com segurança tudo isso?

Estas perguntas estão tirando o sono de todo nós. Não só dos profissionais, mas também dos Líderes de negócios que comandam grandes empresas, que são responsáveis por suas estratégias. Mas como assegurar que a direção está correta ou definir o caminho a ser seguido, num mundo de tanta transformação e volatilidade?

Será que existirá o emprego como nós temos hoje? Ou mesmo as empresas no formato que conhecemos? A própria legislação está tentando se adequar as estes novos tempos porque os modelos atuais não conseguem mais atender as novas demandas da sociedade. A terceirização está avançando muito rapidamente inclusive em áreas que antes eram restritas somente a pessoas da própria empresa. Qual será o modelo mais adequado de gestão para estes novos tempos? E como preparar os profissionais e as lideranças para atender essas demandas, que nem sabemos quais serão.

Concluindo, vamos ter que nos preparar para construir o avião e voar juntos. Os novos tempos de transformação e inovação exigirão não só novas competências, mas fundamentalmente novos comportamentos. Seremos uma geração que terá pela primeira vez que aprender com o futuro e não mais com o passado. Uma coisa é certa, toda esta incerteza e desconforto dos tempos atuais, trarão muitos benefícios no futuro. É nisso que eu acredito!!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O CAPITAL HUMANO: COMPONENTE FUNDAMENTAL NA ECONOMIA COMPORTAMENTAL


É bom esclarecer que Economia é um Ciência Humana e não exata. Tem como principal objetivo o estudo da escassez. Neste sentido toda a gestão econômica só agrega valor para a sociedade se tiver como objetivo final o bem-estar humano. Se considerarmos como razoável e válido estes conceitos, podemos por analogia traze-lo para a gestão de pessoas.

Tudo o que se faz em matéria de negócios no mundo, envolve o relacionamento humano. Por mais que tenhamos hoje uma tecnologia avançada e de ponta em várias áreas, sempre haverá um ser humano por trás de tudo isso, seja para desenhar os modelos, plataformas, ou mesmo operar todos os sistemas. A tomada de decisão e análise do melhor caminho a seguir depende da participação humana, por mais apoiada que possa estar pela tecnologia. Portanto, o Capital Humano é e será sempre o grande diferencial em todas atividades do planeta.

Em se tratando de organizações e negócios, como falei anteriormente, essas relações comerciais ou não, vão depender da intervenção do ser humano. O sucesso das organizações no mundo digital e da alta inovação, cada vez mais depende do Capital Humano para produzir os melhores resultados. Todos nós sabemos que o capital financeiro e a tecnologia, num mundo globalizado, podem ser encontrados com uma certa facilidade em qualquer parte do globo, portanto, isso não é mais um diferencial relevante. O grande diferencial hoje e no futuro será o talento das pessoas, pois serão elas que produzirão inovação e desenvolvimento para o futuro. Basta analisar o que aconteceu nos últimos anos para comprovarmos este fato. Exemplos como Microsoft, Apple, Facebook, Linkedin, e outros, demonstram na prática que o Capital Humano tem prevalecido na criação de um novo mundo nos negócios.

Como a inovação e as relações de negócios dependem cada vez mais do talento humano, isso nos faz refletir o quanto a Economia tem cada vez mais influência do comportamento humano, versus as decisões econômicas racionais e técnicas como apregoavam muitos Economistas. Talvez, como análise dos fatos ocorridos na Economia, os modelos racionais e econométricos continuem muito importantes e válidos, mas não conseguem explicar a totalidade do comportamento da Economia, em função da participação cada vez maior das decisões do fator humano nesta equação.  

Tenho trabalhado como Consultor em Gestão de Pessoas junto a grandes empresas Nacionais e Multinacionais, que possuem produtos de destaque e de liderança no mercado. Fico impressionado de constatar a influência do fator humano, tanto no sucesso quanto no insucesso do negócio, nessas grandes organizações. Num mesmo segmento de mercado observa-se empresas que têm uma trajetória brilhante, enquanto outras com o mesmo porte, tecnologia e disponibilidade de capital que não possuem o mesmo brilho. Quando avalio porque essas empresas são tão diferentes, a minha constatação é : O Capital Humano. Tudo é possível de ser copiado, menos a composição do talento humano de uma organização.

Se ampliarmos este conceito, para uma visão macroeconômica de um País, vamos constatar que muitos Países menores, com menos recursos naturais e possibilidades, acabam se destacando e se diferenciando pelo seu Capital Humano. Alguns exemplos marcantes no mundo: Japão, Coreia do Sul, Suíça, dentre outros.

Se racionalmente analisássemos o potencial econômico desses Países comparados com outras nações como Brasil, Rússia, Índia e México, certamente concluiríamos que estes últimos teriam muito mais potencial econômico, entretanto o que vemos é bastante diferente. Qual é a diferença? O que faz com que se destaquem? A resposta é o Capital Humano, através de forte investimento na educação, na liderança, atributos culturais e de valores que se traduzem na prática, pelo comportamento humano de uma nação ou de uma organização.

Os Países e as empresas precisam acreditar que só serão bem-sucedidos e se destacarão se de fato investirem para valer no seu Capital Humano.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

ECONOMIA COMPORTAMENTAL EM RECURSOS HUMANOS


A ideia fundamental do conceito da economia comportamental em gestão de pessoas, é desmistificar que todas as decisões neste campo são baseadas na racionalidade. O mundo dos negócios obviamente, desejaria que tudo fosse racionalmente previsível, mas todos sabemos que quando lidamos com pessoas, isso é impossível. É só observar nos diferentes campos da atuação humana, o quanto são decisões racionais e quanto não são.

A Gestão de Recursos Humanos dentro das organizações tem como objetivo principal encontrar o melhor talento humano que possa trazer os melhores resultados para a empresa do ponto de vista de negócio. Portanto, o objetivo é absolutamente racional e pragmático. Entretanto se isso fosse absolutamente matemático, não haveria necessidade de trocar ou demitir pessoas ao longo do tempo. Não seria necessário desenvolver e treinar estes talentos, uma vez que racionalmente a empresa buscou o melhor talento no mercado, e pressupõe-se que já tenha vindo preparado e treinando para executar a função.

Do ponto de vista da Liderança, é muito claro que a sua principal responsabilidade é dar direcionamento e coordenar a atividade de várias pessoas para que o objetivo do negócio seja plenamente atingido. Na prática vemos que as empresas têm que dedicar uma quantidade enorme de recursos para preparar e desenvolver a liderança de forma plena em constante. Quantas decisões são tomadas por estas lideranças que muitas vezes resultam em piora do resultado? Escolhas mal feitas de pessoas, decisões mal analisadas, reações emocionais, posturas vaidosas, brigas de poder, e outras tantas coisas que são por natureza irracionais e que não têm nada a ver com as decisões racionais necessárias para o bom desenvolvimento do trabalho.

Outro capítulo que precisa ser bem cuidado, e que tem um grande risco de irracionalidade, são as contratações e as promoções. Há uma grande tendência nas contratações das pessoas, de os líderes quererem escolher aqueles que são muito semelhantes a eles mesmos. Essas decisões, em muitos casos, afastam a empresa da escolha do melhor colaborador, que produzirá os melhores resultados para a organização. Sem considerar outros elementos num processo de seleção, que muitas vezes inconscientemente, determinam certas decisões em função da empatia, da relação, da indicação, da afinidade, etc.

Seguindo adiante, outro tema que precisa ser cuidado da melhor forma racional possível, trata das promoções dentro das organizações. Uma boa parte delas é feito com critérios concretos e indicadores racionais, mas muitas são baseadas na relação humana, ou outros indicadores como capacidade política, relação de amizade, etc. Quando a decisão é feita dentro de critérios pessoais e de relacionamento, em muitos casos corre-se o risco de não se tomar a melhor decisão e a mais racional para o resultado do negócio. É por esta razão que vemos tantas discussões e até mesmo insatisfações dentro das empresas, tendo em vista que as escolhas acabam sendo erradas.

Isso me fez recordar uma das multinacionais em que eu trabalhei, onde vários profissionais foram expatriados para os Estados Unidos. Essas escolhas obviamente eram técnicas, e passavam por vários avaliadores para assegurar de que os profissionais eram os melhores nos seus campos de atividade. Após alguns anos se desenvolvendo no exterior, em princípio, estes profissionais valiam mais para a empresa, em virtude dos investimentos realizados. Mas o que acontecia com eles quando retornavam ao país? A grande maioria acabava saindo da empresa, pois as lideranças que os enviaram para o exterior já não estavam na empresa ou estavam em outras posições. Os novos líderes pouco valorizaram os investimentos feitos nesses profissionais, e acabavam perdendo-os para o mercado. Quanto dinheiro é jogado fora nas empresas em várias áreas, por pessoas que agem desta forma?

Decisões deste tipo ocorrem em muitas áreas na gestão de pessoas. As áreas de benefícios e remuneração são outras que impactam fortemente nos custos das empresas, entretanto muitas decisões são feitas de forma emocional ou pouco racional. No momento de dar um aumento salarial, uma promoção, ou mesmo um pagamento de bônus, muitas vezes os líderes o fazem usando julgamento ou critérios mais de ordem pessoal do que técnico. Essas decisões acabam vazando e criando problemas no ambiente de trabalho e na motivação das pessoas.

Resumindo, em matéria de gestão de pessoas, as empresas precisarão cada vez mais desenvolver critérios que minimizem decisões pessoais versus técnicas ou racionais. As variáveis comportamentais são enormes e precisam ser bem gerenciadas para a assegurar a melhor justiça organizacional possível e o melhor resultado para o negócio, embora saibamos que a natureza humana, faz coisas que são irracionais, em todos os campos de atividades.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

SÓ SEI QUE NADA SEI....


Acho que esta é uma frase bastante apropriada e atual para os dias que vivemos e muito mais para o futuro que vem pela frente. Foi o tempo que todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos, servia como um escudo protetor e nos dava algum conforto para enfrentar o futuro.

As crianças que hoje começam a estudar terão profissões que não se consegue imaginar. Ninguém mesmo, nem pais, nem professores, nem especialistas em carreira, conseguem projetar ou imaginar que profissões existirão daqui a alguns anos. Sem estarmos preparados para lidarmos com essas incertezas, vive-se uma aflição diante do despreparo com a complexidade, ambiguidade e vulnerabilidade deste novo cenário que se descortina.

Sempre fui uma pessoa focada no planejamento. De tanto trabalhar em empresas americanas, acaba-se aprendendo a planejar para tudo o que se quer fazer. É uma forma de trazer o futuro para o presente, antes que de fato ele aconteça. Quando começo a refletir sobre um futuro que ninguém sabe como será, fico pensando como as pessoas poderão, daqui pra frente, lidar com o planejamento. Se não sabemos exatamente como será este futuro, como podermos traze-lo para o presente através do planejamento?

Tudo isso me leva a pensar que muitas coisas que estamos ainda discutindo em matéria de gestão, liderança e cultura nas organizações, tem muito a ver com o passado. Vamos ter que criar novos paradigmas de pensamento para nos prepararmos para lidar com um futuro desconhecido. Quanto mais conscientes em todos os campos estivermos, mais fácil será aprendermos com rapidez e dentro de uma nova dinâmica de acontecimentos. Talvez tenhamos que buscar aprendizados para as organizações em áreas ainda pouco exploradas, como na física quântica, energia, biologia e ciências em geral, etc.

Um fato é concreto: a melhor forma de lidar com toda está transformação é através da educação, da maneira mais ampla possível. Mesmo neste campo, vamos ter que nos acostumar a aprender mais com o futuro do que com o passado. Aprender mais com o desconhecido do que com o conhecido. E entender que, só sei que nada sei, é a melhor forma de assimilar e construir o futuro....e olha que alguém disse isso há muitos séculos passados...