sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O RISCO DA "CULTURA PICLES" NAS ORGANIZAÇÕES


Nunca se falou tanto de Cultura Organizacional como nos tempos atuais. Se você quer ter sucesso numa empresa, tem que entender a cultura dela. Se você quer ser promovido tem que estar alinhado com a cultura. De repente parece que saber lidar com a cultura da organização, é a fórmula para o sucesso.

O discurso das empresas é que devemos trazer “diversidade” para a organização, pois assim vamos oxigenar a forma de pensar da empresa. Faz sentido. Se todas as pessoas tiverem as mesmas formações, o mesmo perfil social ou vierem geograficamente da mesma região, certamente não teremos muitas ideias novas ou inovações. Por outro lado, quanto mais pessoas de gênero, origem e raças, diferentes, maior será a riqueza de ideias e de formas distintas de pensar. Talvez seja mais trabalhoso organizar pessoas tão diferentes, mas o resultado valerá a pena. As ideias e a maneira de lidar com as coisas será mais rica, e possivelmente, mais produtiva e eficiente.

Conceitualmente faz muito sentido, mas na prática a coisa parece bem diferente. Uma boa parte das organizações adora a “cultura picles”. Essa forma criativa de denominar, é fácil de explicar:  as empresas contratam pessoas diferentes, dentro do conceito de diversidade para trazerem ideias criativas, inovadoras, etc. A empresa quer que essas pessoas se alinhem e se insiram na “cultura” delas. Se fizermos uma analogia com os vegetais, é como se comprássemos cebola, cenoura e pimentão, para termos uma salada variada e depois colocássemos tudo num pote de azeite ou vinagre, que é a “cultura”. O que acontece com os vegetais depois de algum tempo é que perdem os seus sabores originais e ficam todos com o mesmo gosto. Sabor de picles. Isso é exatamente o que acontece nas organizações. Elas contratam pessoas com “sabores” diferentes, e depois colocam todas dentro do pote de “cultura”. Após um certo tempo, estão todos pensando e agindo da mesma forma. As pessoas que eram diferentes, vão tendo o mesmo jeito de pensar e perdem suas características originais que tinham no início.

As empresas muitas vezes não se dão conta disso. Quanto mais diversidade houver num grupo, maior será a riqueza dos resultados produzidos, mas em contrapartida, mais trabalho a Liderança terá para gerencia-lo. Em busca de uma praticidade de gestão, uma boa parte das empresas acaba fortalecendo a “cultura picles”, onde todos, apesar do seus sabores diferentes originalmente, acabam tendo o mesmo gosto com o passar do tempo.

O risco disso é a empresa perder sua capacidade de inovação, de criatividade, de melhoria de processos, etc., tão importantes para o crescimento do negócio no futuro. Nunca as empresas dependeram tanto do talento e da inovação para ter sucesso no negócio. Se isto fizer sentido, elas devem combater esta cultura da padronização, e privilegiar a forma diferente de pensar. Quem sabe poderemos chamar isto de uma salada mista, tudo junto e misturado.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CARREIRA: O QUE AS PESSOAS E AS EMPRESAS TEM EM COMUM?


Ao longo da minha vida profissional e mesmo hoje como Consultor, quando falo sobre carreira, gosto de fazer esta analogia: a carreira das pessoas é igual a das empresas. Digo isso, pois em geral, não fazemos esta correlação. Inicialmente temos que pensar que a nossa carreira é semelhante aos produtos de uma empresa. Para o produto ter sucesso precisa ser bom e estar o tempo todo se renovando, caso contrário os clientes vão se interessar por outras empresa. É ou não é verdade?

O nosso produto é fruto do nosso preparo acadêmico, do nosso desenvolvimento, da nossa experiência, e como tudo isso se traduz agregando valor para alguém. Exatamente como os produtos de uma empresa. Precisamos constantemente aperfeiçoar a nossa mercadoria, estudando, fazendo novos projetos, inovando de tal forma que esta fique atualizada a todo tempo. Ao fazermos isso aumentamos a nossa empregabilidade ou a durabilidade do nosso produto.

Uma empresa precisa ter também uma excelente estratégia para assegurar o seu crescimento ao longo do tempo. A nossa carreira para ser bem construída e também alcançar os nossos objetivos, precisa ter uma estratégia bem feita, para sabermos onde queremos ou desejamos chegar. Ao fazer isso tanto a empresa como as pessoas deverão estabelecer objetivos claros a serem atingidos, e trabalharem de forma intensa e produtiva para ter sucesso.

De tempos em tempos a empresa precisa verificar se a sua estratégia está funcionando, e se os seus objetivos estão sendo atingidos. É o que poderíamos chamar da revisão dos resultados. No caso da empresa, muitas vezes esta revisão precisa ser feita com uma periodicidade menor, para ter tempo de fazer a correção da rota. Nós também precisamos fazer isso com a nossa carreira. De tempos em tempos temos que avaliar se aquilo que definimos como nossa estratégia profissional e os objetivos que traçamos, estão sendo cumpridos ou não. Muitas vezes é preciso corrigir a rota, mudando de função, de emprego ou trabalho fazendo algum curso ou revendo o desempenho para assegurar que iremos alcançar o objetivo proposto.

As empresas precisam ter como parte do seu plano de negócios uma boa estratégia de marketing para assegurar a competitividade dos seus produtos. A concorrência não dá sossego e se ficar parado alguém vem com um produto melhor e rouba o nosso cliente. Na carreira acontece da mesma forma. Precisamos ter um bom plano de marketing, valorizando e melhorando sempre o nosso produto, para não correr o risco de a concorrência oferecer melhor mercadoria. Em última análise, poderia representar a perda do emprego ou ser preterido para promoções de funções com maiores responsabilidades.

O produto da empresa terá maior ou menor sucesso a depender do resultado ou do desempenho que este apresenta para quem o adquiriu. Quando compramos um determinado artigo ou serviço de uma empresa, temos a expectativa de que este item vai nos trazer algum tipo de benefício tangível ou intangível. Na carreira acontece exatamente o mesmo. O nosso trabalho deve trazer resultados tangíveis e ou intangíveis para que o nosso produto seja valorizado e desejado.

Em resumo, se conseguirmos imaginar tudo que envolve o sucesso de uma empresa do ponto de vista de produtos, qualidade, estratégia, plano de negócios, resultados, etc., e fizermos uma analogia com a nossa carreira, vamos perceber a semelhança que existe entre elas. Tudo que vale como conceito de negócio para uma empresa, vale também para a nossa carreira. A tecnologia avança para as empresas, fatalmente avançará para o nosso trabalho e terá impacto em nossa trajetória profissional.

A minha sugestão é que se observe atentamente como as empresas cuidam dos seus negócios e se utilize os mesmos critérios para cuidar da carreira. Tenho certeza de que isso irá ajudar muito e trará muito sucesso profissional.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

DEMISSÃO - SERÁ QUE PODE ACONTECER COMIGO?


A possibilidade de ser demitido sempre passa pela cabeça de quem está empregado. Para alguns é aterrorizante pensar nisso. Para outros, que já passaram por esta situação, vale a reflexão em avaliar pela própria experiência se estavam ou não preparados para enfrentar a demissão. A verdade é que, por mais que uma pessoa esteja preparada para uma demissão, nunca é uma situação simples e fácil de enfrentar. A primeira sensação é de se perguntar onde foi que eu errei, isso é muito injusto ou por que eu? É sempre difícil saber exatamente porque a demissão ocorreu. Até porque, na grande maioria dos casos, não há muita transparência, e obviamente é mais fácil alegar que é uma reestruturação, um ajuste de custo ou mudança de perfil da função. É raro o líder alegar que foi um problema de desempenho da pessoa, ou um comportamento inadequado. Isto porque sempre haverá o risco do questionamento ou de uma reação emocional, e a não aceitação da justificativa. E, aqui entre nós, em certas situações a demissão pode ser fruto do próprio fracasso da liderança em saber motivar ou orientar o demitido. Além disso poucos são os Lideres que sabem realmente lidar com esta situação.

Já vi casos em que o ambiente estava tão ruim, que a pessoa teve sensação de alívio ao ser demitida. Ela já se encontrava num estágio que não suportaria por muito mais tempo aquele trabalho. Também conheço casos críticos de demissão de executivos que levaram muito tempo para informar a família sobre a sua saída da empresa. Saiam de casa pela manhã como se fossem trabalhar, apenas para disfarçar a situação, pois se sentiam envergonhados de terem sido demitidos. No fundo uma grande bobagem pois nos tempos de hoje é algo mais comum do que imaginamos. Se existe uma certeza é que, em algum momento da vida profissional, a pessoa será demitida. É uma questão de tempo ou de circunstâncias.

Existe a demissão que a pessoa pode potencialmente evitar e existe a demissão que não há como controlar. Quando uma empresa passa por dificuldades ou se junta com outra empresa, ou foi vendida para alguém, são situações que ninguém controla. Se o motivo são as dificuldades financeiras, as empresas muitas vezes precisam demitir algumas pessoas do seu quadro para preservar o seu negócio ou até mesmo o emprego da grande maioria das pessoas.

A melhor forma de um indivíduo se prevenir de ser demitido é tendo um excelente desempenho e estando permanentemente em desenvolvimento. Nenhuma empresa, em condições normais de funcionamento, vai demitir alguém que traz excelente resultados e que tem potencial para crescer para funções de maiores responsabilidades. O que ocorre muitas vezes é que, no decorrer dos anos, naturalmente há uma tendência de as pessoas se acomodarem e acharem que estão seguras. Isso não funciona nos tempos atuais. Todo profissional tem que melhorar o seu desempenho e se desenvolver de forma contínua e permanente.

Como não é possível garantir emprego e nem saber em que circunstâncias a empresa se encontra, o melhor mesmo é procurar dar o melhor de si e se preparar com a possibilidade de um dia ser demitido. Como se preparar? Além de ter sempre um excelente desempenho e agregar valor através dos resultados para a empresa, também dedicar tempo investindo em desenvolvimento, estudando sempre, e aperfeiçoando o seu trabalho. Ao fazer isso o profissional gera maior possibilidade de empregabilidade dentro e fora da empresa. Se a demissão ocorrer por razões que fogem ao controle do profissional, este estará preparado para buscar outras oportunidades e certamente terá sucesso em qualquer lugar que for trabalhar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O AVANÇO DA TECNOLOGIA: DECIFRA-ME OU TE DEVORO


Acho que muita gente se sente desse jeito, especialmente as pessoas um pouco mais velhas, que foram formatadas e preparadas no modelo industrial ou agrícola. O avanço da tecnologia está evoluindo tão rápido, que dá até medo de não conseguir acompanhar tudo isso, não é verdade? Em São Paulo, para estacionar o seu carro na rua, é preciso baixar um aplicativo, pois já não existe o velho cartão de estacionamento. Só para ter uma ideia de como as coisas andam.

Recentemente o governo informou que, a partir do próximo ano, o documento para pagamento do IPVA, não será mais enviado pelo correio, mas de forma eletrônica. A declaração do imposto de renda, há muito tempo já é feita eletronicamente. Vários serviços nos dias de hoje são totalmente realizados de forma eletrônica, como bancos, etc.  

A tecnologia, mas especificamente da era digital, está invadindo todos os campos da nossa vida pessoal. Outro dia fui ao cinema com a minha esposa, e ela levou os ingressos no seu celular e lá fomos nós felizes assistir o nosso filme. Se você vai embarcar no aeroporto, da mesma forma, o seu cartão de embarque pode estar apenas no seu celular, e boa viagem. Quem não tiver um celular nos dias de hoje, em breve não vai poder sair de casa. Cada vez mais a era digital invade o nosso dia a dia, facilitando e simplificando muitas coisas. Às vezes fico com pena das pessoas mais idosas, que não foram preparadas para lidar com tudo isso. Outro dia utilizei o caixa eletrônico do banco e ao meu lado havia uma senhora que sofria para lidar com aquela máquina tenebrosa que estava à sua frente. Deu pena de ver a dificuldade com que ela lidava com aquele equipamento, que já é de domínio público. Por sorte apareceu uma atendente do banco que a ajudou a operar e fazer as operações que necessitava.

Todos os dias lemos no noticiário algo envolvido com essa tal de tecnologia. Ultimamente várias notícias foram publicadas falando do automóvel autônomo que não precisará mais do motorista. Também neste mesmo contexto, já existem experiências de desenvolvimento para a criação de veículos que poderão voar, usando a tecnologia dos drones, outra coisa que falam todos os dias. Drones que são usados em atendimento de emergência, para entrega de mercadorias, controle de tráfego e assim por diante. Os motoboys da cidade de São Paulo estão ficando preocupados, se esta novidade entrar para valer. Mais recentemente, um amigo comentou que conseguiram imprimir numa impressora 3D, uma orelha humana, que poderia ser usada num implante cirúrgico.

Há estudiosos e cenaristas prevendo que no futuro todos os trabalhos repetitivos deixarão de ser feito por humanos, e substituído por robôs. Não é exagero. Se verificarmos na indústria automobilística, todos os processos de soldas e pinturas já são executados por robôs. Trabalho este que era no passado feito por pessoas. E diga-se de passagem, este trabalho é mais eficiente, de melhor qualidade e com menos risco de saúde do que quando era feito por seres humanos.

No campo do desenvolvimento humano, toda esta tecnologia desenvolvida para os jogos, conhecida como “gamificação”, já está sendo empregada por algumas empresas para selecionar, e ou desenvolver pessoas, através dos jogos.

A coisa não para por aí. No campo da genética, a revolução é ainda muito maior. Com o sequenciamento do DNA é possível identificar potenciais doenças numa pessoa que poderia vir a ocorrer 10, 20 ou daqui a 30 anos. É possível fazer clones de órgão humanos, o que traria benefícios ilimitados para aquelas pessoas que ficam em filas intermináveis de transplante. Haverá no futuro uma revolução na fabricação de medicamentos. Hoje a grande maiorias das drogas são feitas para corrigir problemas de saúde. No futuro, com o advento da biotecnologia, os medicamentos serão feitos para prevenir e proteger a saúde, conhecidos como medicamentos biológicos.

Ainda em relação a genética, há também uma revolução na agricultura. Hoje é possível sequenciar uma planta de cactos, separar o gen que dá resistência desértica, e colocar numa planta de milho. Ao fazer isso será possível plantar o milho no deserto ampliando de forma exponencial as áreas de produção agrícola no mundo. Da mesma forma, pode-se sequenciar um pinheiro, separar o gen que dá resistência ao frio e colocar numa planta de milho, para produzí-la em áreas totalmente geladas.

Em resumo, na minha visão simplificamos de uma forma errônea ao chamarmos esta era de “digital”, que é muito mais do que isso no campo tecnológico. Acho que seria mais acertado chamarmos esta era que vivemos de era da “tecnologia”. O que não podemos esquecer é que atrás de tudo isso está o ser humano. Como prepará-lo para lidar com todos estes avanços? Como não podemos parar o progresso, precisamos cuidar para que todas as pessoas façam parte deste avanço, caso contrário correremos o risco de criarmos uma imensidão de pessoas analfabetas tecnologicamente e devoradas pelo progresso.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

AS EMPRESAS CONTRATAM POR COMPETÊNCIA E DEMITEM POR COMPORTAMENTO


Essa é uma máxima em Recursos Humanos. Os processos seletivos sempre focaram mais em avaliar as competências dos candidatos do que nos seus comportamentos e atitudes. Existem exceções, ou seja, empresas que há muitos anos já perceberam a importância de avaliar a postura, os valores e os indicadores de comportamento dos candidatos. Entretanto, muitas pessoas ainda não se deram conta disso e acham que pelo fato de serem graduados numa escola de primeira linha e trabalhado em boas organizações, é suficiente para se qualificarem para uma posição numa empresa e ter sucesso. Cuidado!!

No passado até seriam os fatores mais relevantes, mas hoje as empresas estão muito mais preocupadas com os valores das pessoas, o que elas agregarão à organização com as suas atitudes, somadas obviamente às suas competências. Já não basta ser competente profissionalmente se a pessoa não demonstrar valores, princípios e ética no trabalho. O alinhamento dos valores pessoais com os valores da organização são hoje fatores mais críticos de sucesso do que as competências técnicas propriamente ditas.

Temos acompanhado nos noticiários diários os escândalos e os resultados da corrupção nas Organizações, demonstrando claramente a falta de ética, valores e princípios de muitos dirigentes. Isso não é só uma situação do Brasil, mas mundial. A criação do conceito de “Compliance”, tão popular nos dias de hoje, foi criado nos Estados Unidos em função de vários problemas ocorridos por lá, por dirigentes com mal comportamento. A palavra “Compliance”, traduzida literalmente, quer dizer “Conformidade”, que em nosso idioma é um pouco vago. Na verdade, é conformidade com as regras do jogo, sejam legais do ponto de vista da legislação, bem como as políticas corporativas da organização. As consequências legais hoje são bem severas nos Estados Unidos, bem como no Brasil. Essa talvez seja uma das maiores preocupações das empresas nos dias de hoje: assegurar que os seus colaboradores atuem e ajam de acordo com as regras legais e corporativas. A falta deste comportamento, de acordo com o “Compliance”, pode acarretar consequências muito graves para a empresa e para os seus dirigentes.

A sociedade não aceita mais uma empresa apresentar resultados a qualquer preço, sem avaliar as consequências das decisões dos seus dirigentes, seja do ponto de vista do negócio, do meio ambiente, etc. Não basta apenas falar dos valores e dos princípios se estes não são praticados pelos dirigentes e pelos colaboradores em geral.

Por esta razão, o bom profissional precisa refletir que, não basta apenas ser competente tecnicamente naquilo que faz se não tiver o comportamento e os valores adequados para exercer a sua profissão. Cada vez mais a sociedade valorizará as empresas éticas, bem como os profissionais que seguem estritamente os seus valores pessoais acima de tudo, alinhado com os da organização, e que se traduzem em resultados e melhoria para todos. Isso vale para as empresas privadas e muito mais para o setor público. Até porque, não existe dinheiro público, mas sim dinheiro de todos os contribuintes para o benefício da sociedade. Neste caso em particular, a necessidade de se atuar de acordo com o “Compliance” é ainda mais crítico, por se tratar de uma área coletiva.

Nestes meus 45 anos em RH, vi muito mais pessoas serem demitidas ou promovidas por comportamento do que por competência. Até porque, competência é mais fácil de avaliar, enquanto comportamento pela sua natureza precisa ser vivenciado e identificado por outros no dia a dia do trabalho.

Portanto, para ter sucesso no futuro, invista no desenvolvimento das suas competências, mas invista ainda mais nos seus comportamentos, valores e atitudes. É a união dessas duas coisas que as empresas buscam e também é o caminho para um profissional triunfar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A ARMADILHA DE QUERER SER LÍDER


Ando um pouco cansado de ler artigos, matérias, livros e ouvir gurus, onde se tem a impressão que a vida profissional das pessoas se resume em Liderança. Não basta ser um profissional competente, inteligente, dedicado, estudioso para ter sucesso. Precisa ser líder. E com tantas definições e conceitos sobre liderança, daria para falar do tema pela eternidade. O pior é que, na prática, se olharmos o Brasil como exemplo de liderança, dá vontade de chorar. Estamos anos luz dos países desenvolvidos neste tema.

Se você não se enquadra nestes padrões de “líder” definido pelos gurus acadêmicos que adoram dar rótulos da moda, não se preocupe. Não tem nada errado com você. O mais importante na vida profissional é ser competente naquilo que se faz. Seja um profissional que desenvolve todo o seu potencial de conhecimento, aperfeiçoe as suas habilidades no fazer, e tenha sempre uma atitude ética e positiva na busca da realização do seu trabalho. Seja lá qual for. Pode ser área privada, na pública, no emprego ou no negócio próprio. O mais importante é fazer o melhor possível, porque o retorno profissional material e o reconhecimento com certeza virão.

As empresas em geral acabaram valorizando sobremaneira através da remuneração ou mesmo em reconhecimento profissional, as posições de liderança hierárquica. Com isso, todos querem ser líderes nessas Organizações, muitas vezes motivados apenas pela ambição material. O resultado é um bando de pessoas nestas posições sem a menor aptidão para a posição, causando mais estragos do que resultados. Muitas Organizações ainda acreditam que as lideranças farão milagres e conseguirão os resultados, mesmo que os times sejam fracos ou careçam de competência. Na minha visão, um ledo engano. Não há como ter sucesso se não houver uma equipe muito bem preparada, que muitas vezes não precisa nem de líder para ter bom resultado. São times que por sua alta condição profissional podem se auto gerenciar.

Muitas empresas ainda vivem à sombra de modelos hierárquicos, forjados nas Organizações militares ou religiosas, onde a liderança e a hierarquia é a base do funcionamento. No mundo moderno, especialmente na era digital que vivemos, esta referência não tem mais o menor sentido. As empresas vencedoras e bem- sucedidas serão aquelas que conseguirão extrair o melhor de cada colaborador, e a liderança será mais uma atitude do time do que uma posição na hierarquia.

As futuras lideranças surgirão de profissionais competentes, com alta habilidade para lidar com as pessoas, agregadores em torno de projetos, gerando uma alta motivação na busca por resultados e soluções de problemas complexos. Serão grandes facilitadores, e possivelmente líderes momentâneos, onde o seu papel funcional será muito mais importante do que a sua posição formal na hierarquia. Serão muito mais sócios e donos dos negócios, do que líderes burocráticos, cuja motivação estava mais no resultado financeiro ou o status da posição.

Se você se vê mais neste novo perfil do líder moderno, você está no caminho certo. Liderar será apenas parte temporária do seu trabalho, naquelas coisas que você tem uma melhor competência do que outras pessoas. Ser um organizador de times ou projetos em torno de um objetivo comum, será cada vez mais feito por grupos de profissionais competentes que aportarão várias lideranças que trarão os resultados. As conexões digitais e a forma de trabalhar no futuro definirá um novo jeito de liderar, que tem muito mais a ver com o perfil de trabalhar junto e produzir com eficiência, como eram os nossos times de escola, de adolescência, onde todos lideravam, e contribuíam igualmente para o bem de todos.

Se você gosta desta ideia, então prepare-se para ser uma boa pessoa antes de ser um bom profissional. Com certeza esse é o fundamento principal para ser um bom e competente líder.

Bom ano com muitas realizações e prosperidade….!!!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

SUGESTÕES PARA GESTÃO DE PESSOAS EM 2017


O ano de 2016 está terminando, e muitos de nós gestores de pessoas e profissionais de RH somos desafiados a pensar nas prioridades para 2017. Todos sabemos que assim como este ano, o próximo será bastante desafiador, tanto do ponto de vista dos negócios bem como na gestão de pessoas. Também sabemos que uma coisa é certa, temos que seguir adiante em busca dos nossos objetivos, e ao invés de esperarmos pelo futuro, vamos à luta para criá-lo. Todos os anos são desafiadores. Os motivos e as razões podem ser diferentes, mas essa é a nossa realidade. É isso que nos move e nos motiva a olhar para frente e sermos cada vez mais produtivos. Pensando nestes desafios, proponho algumas sugestões para o próximo ano conforme segue:

ELABORAR METAS E OBJETIVOS DESAFIADORES, PORÉM CONSISTENTES

Esse é um bom momento para pensarmos nas nossas metas e objetivos para o próximo ano. É importante ir direto ao ponto, ser seletivo e saber priorizá-lo. Caso contrário, cairemos na tentação de termos muitos objetivos e quem tem muitos objetivos não tem prioridade alguma. Quanto mais foco melhor, até para poder fazer um planejamento para o ano, que ajude e facilite a busca dos resultados desejados. Saber estabelecer uma meta, requer técnica e arte. Tem que ficar claro o que desejamos alcançar, mas fundamentalmente temos que definir o como, quando, quanto e com quem temos que trabalhar. A maioria dos objetivos descritos nas organizações, acabam sendo meros descritivos de intenções, que ficam muito difíceis de terem propósito, dificultando a avaliação dos resultados.

CONTRATAÇÃO DE TALENTOS

Toda vaga que aparecer, seja nova ou por reposição, deverá ser cuidada de uma forma muito especial. Como a competição e a economia estão mais restritas, quanto mais e melhores talentos a empresa tiver, maior potencial terá para conseguir melhores resultados. A empresa precisa ter um olhar mais crítico em relação aos recursos existentes, bem como em relação às novas contratações. Este é o momento em que as organizações não precisam de bons talentos, mas sim de ótimos talentos, pois só desta forma ela encontrará soluções e saídas para os seus negócios. Cada vez mais serão os talentos que farão a diferença no resultado dos negócios. Até porque, outras variáveis como tecnologia, dinheiro, etc. já viraram commodities no mercado.  

DESENVOLVIMENTO DA LIDERANÇA

É necessário continuar investindo fortemente no desenvolvimento da liderança, seja através de coaching, mentoring, ou outras formas de aperfeiçoamento. Nos momentos de grandes desafios será necessário contar com uma liderança muito bem preparada para enfrentá-los. Serão estes líderes que darão o direcionamento para as pessoas e engajarão os colaboradores para que, trabalhando em time, produzam o melhor resultado possível. São os líderes que farão a diferença na motivação, na animação e no desempenho das equipes.

TRABALHO EM TIME

Gosto de uma frase atribuída ao Michael Jordan, um grande talento do NBA Americano que diz: “Talentos ganham partidas, times ganham campeonatos”. É muito poderosa essa expressão e muito verdadeira. Nos momentos mais desafiadores que enfrentamos na vida profissional ou pessoal, precisamos da ajuda e da colaboração de outras pessoas para superarmos os obstáculos com sucesso. Nessas horas não é possível vencer sem colaboração. Quanto mais fortalecido estiver o espírito do time, certamente a organização estará melhor preparada para enfrentar e superas os desafios.

AMBIENTE E CULTURA VENCEDORA

Todos os elementos mencionados e muitos outros que poderíamos também citar, devem estar alinhados para criar um ambiente e uma cultura vencedora dentro da organização. Devemos focar nos objetivos, nas metas, nos recursos que dispomos para vencermos as dificuldades, que muitas vezes são apenas passageiras. Devemos afastar qualquer sensação de fragilidade ou de medo de enfrentamento das situações. Pelo contrário, devemos criar em todos o espírito da superação e da vitória. A conquista acontecerá se o moral estiver alto e as pessoas preparadas racionalmente e emocionalmente para lidar com o ambiente desafiador. Com o espírito de time fortalecido e preparado, será impossível haver dificuldades que não possam ser superadas para se atingir os objetivos desejados.