quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O AVANÇO DA TECNOLOGIA: DECIFRA-ME OU TE DEVORO


Acho que muita gente se sente desse jeito, especialmente as pessoas um pouco mais velhas, que foram formatadas e preparadas no modelo industrial ou agrícola. O avanço da tecnologia está evoluindo tão rápido, que dá até medo de não conseguir acompanhar tudo isso, não é verdade? Em São Paulo, para estacionar o seu carro na rua, é preciso baixar um aplicativo, pois já não existe o velho cartão de estacionamento. Só para ter uma ideia de como as coisas andam.

Recentemente o governo informou que, a partir do próximo ano, o documento para pagamento do IPVA, não será mais enviado pelo correio, mas de forma eletrônica. A declaração do imposto de renda, há muito tempo já é feita eletronicamente. Vários serviços nos dias de hoje são totalmente realizados de forma eletrônica, como bancos, etc.  

A tecnologia, mas especificamente da era digital, está invadindo todos os campos da nossa vida pessoal. Outro dia fui ao cinema com a minha esposa, e ela levou os ingressos no seu celular e lá fomos nós felizes assistir o nosso filme. Se você vai embarcar no aeroporto, da mesma forma, o seu cartão de embarque pode estar apenas no seu celular, e boa viagem. Quem não tiver um celular nos dias de hoje, em breve não vai poder sair de casa. Cada vez mais a era digital invade o nosso dia a dia, facilitando e simplificando muitas coisas. Às vezes fico com pena das pessoas mais idosas, que não foram preparadas para lidar com tudo isso. Outro dia utilizei o caixa eletrônico do banco e ao meu lado havia uma senhora que sofria para lidar com aquela máquina tenebrosa que estava à sua frente. Deu pena de ver a dificuldade com que ela lidava com aquele equipamento, que já é de domínio público. Por sorte apareceu uma atendente do banco que a ajudou a operar e fazer as operações que necessitava.

Todos os dias lemos no noticiário algo envolvido com essa tal de tecnologia. Ultimamente várias notícias foram publicadas falando do automóvel autônomo que não precisará mais do motorista. Também neste mesmo contexto, já existem experiências de desenvolvimento para a criação de veículos que poderão voar, usando a tecnologia dos drones, outra coisa que falam todos os dias. Drones que são usados em atendimento de emergência, para entrega de mercadorias, controle de tráfego e assim por diante. Os motoboys da cidade de São Paulo estão ficando preocupados, se esta novidade entrar para valer. Mais recentemente, um amigo comentou que conseguiram imprimir numa impressora 3D, uma orelha humana, que poderia ser usada num implante cirúrgico.

Há estudiosos e cenaristas prevendo que no futuro todos os trabalhos repetitivos deixarão de ser feito por humanos, e substituído por robôs. Não é exagero. Se verificarmos na indústria automobilística, todos os processos de soldas e pinturas já são executados por robôs. Trabalho este que era no passado feito por pessoas. E diga-se de passagem, este trabalho é mais eficiente, de melhor qualidade e com menos risco de saúde do que quando era feito por seres humanos.

No campo do desenvolvimento humano, toda esta tecnologia desenvolvida para os jogos, conhecida como “gamificação”, já está sendo empregada por algumas empresas para selecionar, e ou desenvolver pessoas, através dos jogos.

A coisa não para por aí. No campo da genética, a revolução é ainda muito maior. Com o sequenciamento do DNA é possível identificar potenciais doenças numa pessoa que poderia vir a ocorrer 10, 20 ou daqui a 30 anos. É possível fazer clones de órgão humanos, o que traria benefícios ilimitados para aquelas pessoas que ficam em filas intermináveis de transplante. Haverá no futuro uma revolução na fabricação de medicamentos. Hoje a grande maiorias das drogas são feitas para corrigir problemas de saúde. No futuro, com o advento da biotecnologia, os medicamentos serão feitos para prevenir e proteger a saúde, conhecidos como medicamentos biológicos.

Ainda em relação a genética, há também uma revolução na agricultura. Hoje é possível sequenciar uma planta de cactos, separar o gen que dá resistência desértica, e colocar numa planta de milho. Ao fazer isso será possível plantar o milho no deserto ampliando de forma exponencial as áreas de produção agrícola no mundo. Da mesma forma, pode-se sequenciar um pinheiro, separar o gen que dá resistência ao frio e colocar numa planta de milho, para produzí-la em áreas totalmente geladas.

Em resumo, na minha visão simplificamos de uma forma errônea ao chamarmos esta era de “digital”, que é muito mais do que isso no campo tecnológico. Acho que seria mais acertado chamarmos esta era que vivemos de era da “tecnologia”. O que não podemos esquecer é que atrás de tudo isso está o ser humano. Como prepará-lo para lidar com todos estes avanços? Como não podemos parar o progresso, precisamos cuidar para que todas as pessoas façam parte deste avanço, caso contrário correremos o risco de criarmos uma imensidão de pessoas analfabetas tecnologicamente e devoradas pelo progresso.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

AS EMPRESAS CONTRATAM POR COMPETÊNCIA E DEMITEM POR COMPORTAMENTO


Essa é uma máxima em Recursos Humanos. Os processos seletivos sempre focaram mais em avaliar as competências dos candidatos do que nos seus comportamentos e atitudes. Existem exceções, ou seja, empresas que há muitos anos já perceberam a importância de avaliar a postura, os valores e os indicadores de comportamento dos candidatos. Entretanto, muitas pessoas ainda não se deram conta disso e acham que pelo fato de serem graduados numa escola de primeira linha e trabalhado em boas organizações, é suficiente para se qualificarem para uma posição numa empresa e ter sucesso. Cuidado!!

No passado até seriam os fatores mais relevantes, mas hoje as empresas estão muito mais preocupadas com os valores das pessoas, o que elas agregarão à organização com as suas atitudes, somadas obviamente às suas competências. Já não basta ser competente profissionalmente se a pessoa não demonstrar valores, princípios e ética no trabalho. O alinhamento dos valores pessoais com os valores da organização são hoje fatores mais críticos de sucesso do que as competências técnicas propriamente ditas.

Temos acompanhado nos noticiários diários os escândalos e os resultados da corrupção nas Organizações, demonstrando claramente a falta de ética, valores e princípios de muitos dirigentes. Isso não é só uma situação do Brasil, mas mundial. A criação do conceito de “Compliance”, tão popular nos dias de hoje, foi criado nos Estados Unidos em função de vários problemas ocorridos por lá, por dirigentes com mal comportamento. A palavra “Compliance”, traduzida literalmente, quer dizer “Conformidade”, que em nosso idioma é um pouco vago. Na verdade, é conformidade com as regras do jogo, sejam legais do ponto de vista da legislação, bem como as políticas corporativas da organização. As consequências legais hoje são bem severas nos Estados Unidos, bem como no Brasil. Essa talvez seja uma das maiores preocupações das empresas nos dias de hoje: assegurar que os seus colaboradores atuem e ajam de acordo com as regras legais e corporativas. A falta deste comportamento, de acordo com o “Compliance”, pode acarretar consequências muito graves para a empresa e para os seus dirigentes.

A sociedade não aceita mais uma empresa apresentar resultados a qualquer preço, sem avaliar as consequências das decisões dos seus dirigentes, seja do ponto de vista do negócio, do meio ambiente, etc. Não basta apenas falar dos valores e dos princípios se estes não são praticados pelos dirigentes e pelos colaboradores em geral.

Por esta razão, o bom profissional precisa refletir que, não basta apenas ser competente tecnicamente naquilo que faz se não tiver o comportamento e os valores adequados para exercer a sua profissão. Cada vez mais a sociedade valorizará as empresas éticas, bem como os profissionais que seguem estritamente os seus valores pessoais acima de tudo, alinhado com os da organização, e que se traduzem em resultados e melhoria para todos. Isso vale para as empresas privadas e muito mais para o setor público. Até porque, não existe dinheiro público, mas sim dinheiro de todos os contribuintes para o benefício da sociedade. Neste caso em particular, a necessidade de se atuar de acordo com o “Compliance” é ainda mais crítico, por se tratar de uma área coletiva.

Nestes meus 45 anos em RH, vi muito mais pessoas serem demitidas ou promovidas por comportamento do que por competência. Até porque, competência é mais fácil de avaliar, enquanto comportamento pela sua natureza precisa ser vivenciado e identificado por outros no dia a dia do trabalho.

Portanto, para ter sucesso no futuro, invista no desenvolvimento das suas competências, mas invista ainda mais nos seus comportamentos, valores e atitudes. É a união dessas duas coisas que as empresas buscam e também é o caminho para um profissional triunfar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A ARMADILHA DE QUERER SER LÍDER


Ando um pouco cansado de ler artigos, matérias, livros e ouvir gurus, onde se tem a impressão que a vida profissional das pessoas se resume em Liderança. Não basta ser um profissional competente, inteligente, dedicado, estudioso para ter sucesso. Precisa ser líder. E com tantas definições e conceitos sobre liderança, daria para falar do tema pela eternidade. O pior é que, na prática, se olharmos o Brasil como exemplo de liderança, dá vontade de chorar. Estamos anos luz dos países desenvolvidos neste tema.

Se você não se enquadra nestes padrões de “líder” definido pelos gurus acadêmicos que adoram dar rótulos da moda, não se preocupe. Não tem nada errado com você. O mais importante na vida profissional é ser competente naquilo que se faz. Seja um profissional que desenvolve todo o seu potencial de conhecimento, aperfeiçoe as suas habilidades no fazer, e tenha sempre uma atitude ética e positiva na busca da realização do seu trabalho. Seja lá qual for. Pode ser área privada, na pública, no emprego ou no negócio próprio. O mais importante é fazer o melhor possível, porque o retorno profissional material e o reconhecimento com certeza virão.

As empresas em geral acabaram valorizando sobremaneira através da remuneração ou mesmo em reconhecimento profissional, as posições de liderança hierárquica. Com isso, todos querem ser líderes nessas Organizações, muitas vezes motivados apenas pela ambição material. O resultado é um bando de pessoas nestas posições sem a menor aptidão para a posição, causando mais estragos do que resultados. Muitas Organizações ainda acreditam que as lideranças farão milagres e conseguirão os resultados, mesmo que os times sejam fracos ou careçam de competência. Na minha visão, um ledo engano. Não há como ter sucesso se não houver uma equipe muito bem preparada, que muitas vezes não precisa nem de líder para ter bom resultado. São times que por sua alta condição profissional podem se auto gerenciar.

Muitas empresas ainda vivem à sombra de modelos hierárquicos, forjados nas Organizações militares ou religiosas, onde a liderança e a hierarquia é a base do funcionamento. No mundo moderno, especialmente na era digital que vivemos, esta referência não tem mais o menor sentido. As empresas vencedoras e bem- sucedidas serão aquelas que conseguirão extrair o melhor de cada colaborador, e a liderança será mais uma atitude do time do que uma posição na hierarquia.

As futuras lideranças surgirão de profissionais competentes, com alta habilidade para lidar com as pessoas, agregadores em torno de projetos, gerando uma alta motivação na busca por resultados e soluções de problemas complexos. Serão grandes facilitadores, e possivelmente líderes momentâneos, onde o seu papel funcional será muito mais importante do que a sua posição formal na hierarquia. Serão muito mais sócios e donos dos negócios, do que líderes burocráticos, cuja motivação estava mais no resultado financeiro ou o status da posição.

Se você se vê mais neste novo perfil do líder moderno, você está no caminho certo. Liderar será apenas parte temporária do seu trabalho, naquelas coisas que você tem uma melhor competência do que outras pessoas. Ser um organizador de times ou projetos em torno de um objetivo comum, será cada vez mais feito por grupos de profissionais competentes que aportarão várias lideranças que trarão os resultados. As conexões digitais e a forma de trabalhar no futuro definirá um novo jeito de liderar, que tem muito mais a ver com o perfil de trabalhar junto e produzir com eficiência, como eram os nossos times de escola, de adolescência, onde todos lideravam, e contribuíam igualmente para o bem de todos.

Se você gosta desta ideia, então prepare-se para ser uma boa pessoa antes de ser um bom profissional. Com certeza esse é o fundamento principal para ser um bom e competente líder.

Bom ano com muitas realizações e prosperidade….!!!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

SUGESTÕES PARA GESTÃO DE PESSOAS EM 2017


O ano de 2016 está terminando, e muitos de nós gestores de pessoas e profissionais de RH somos desafiados a pensar nas prioridades para 2017. Todos sabemos que assim como este ano, o próximo será bastante desafiador, tanto do ponto de vista dos negócios bem como na gestão de pessoas. Também sabemos que uma coisa é certa, temos que seguir adiante em busca dos nossos objetivos, e ao invés de esperarmos pelo futuro, vamos à luta para criá-lo. Todos os anos são desafiadores. Os motivos e as razões podem ser diferentes, mas essa é a nossa realidade. É isso que nos move e nos motiva a olhar para frente e sermos cada vez mais produtivos. Pensando nestes desafios, proponho algumas sugestões para o próximo ano conforme segue:

ELABORAR METAS E OBJETIVOS DESAFIADORES, PORÉM CONSISTENTES

Esse é um bom momento para pensarmos nas nossas metas e objetivos para o próximo ano. É importante ir direto ao ponto, ser seletivo e saber priorizá-lo. Caso contrário, cairemos na tentação de termos muitos objetivos e quem tem muitos objetivos não tem prioridade alguma. Quanto mais foco melhor, até para poder fazer um planejamento para o ano, que ajude e facilite a busca dos resultados desejados. Saber estabelecer uma meta, requer técnica e arte. Tem que ficar claro o que desejamos alcançar, mas fundamentalmente temos que definir o como, quando, quanto e com quem temos que trabalhar. A maioria dos objetivos descritos nas organizações, acabam sendo meros descritivos de intenções, que ficam muito difíceis de terem propósito, dificultando a avaliação dos resultados.

CONTRATAÇÃO DE TALENTOS

Toda vaga que aparecer, seja nova ou por reposição, deverá ser cuidada de uma forma muito especial. Como a competição e a economia estão mais restritas, quanto mais e melhores talentos a empresa tiver, maior potencial terá para conseguir melhores resultados. A empresa precisa ter um olhar mais crítico em relação aos recursos existentes, bem como em relação às novas contratações. Este é o momento em que as organizações não precisam de bons talentos, mas sim de ótimos talentos, pois só desta forma ela encontrará soluções e saídas para os seus negócios. Cada vez mais serão os talentos que farão a diferença no resultado dos negócios. Até porque, outras variáveis como tecnologia, dinheiro, etc. já viraram commodities no mercado.  

DESENVOLVIMENTO DA LIDERANÇA

É necessário continuar investindo fortemente no desenvolvimento da liderança, seja através de coaching, mentoring, ou outras formas de aperfeiçoamento. Nos momentos de grandes desafios será necessário contar com uma liderança muito bem preparada para enfrentá-los. Serão estes líderes que darão o direcionamento para as pessoas e engajarão os colaboradores para que, trabalhando em time, produzam o melhor resultado possível. São os líderes que farão a diferença na motivação, na animação e no desempenho das equipes.

TRABALHO EM TIME

Gosto de uma frase atribuída ao Michael Jordan, um grande talento do NBA Americano que diz: “Talentos ganham partidas, times ganham campeonatos”. É muito poderosa essa expressão e muito verdadeira. Nos momentos mais desafiadores que enfrentamos na vida profissional ou pessoal, precisamos da ajuda e da colaboração de outras pessoas para superarmos os obstáculos com sucesso. Nessas horas não é possível vencer sem colaboração. Quanto mais fortalecido estiver o espírito do time, certamente a organização estará melhor preparada para enfrentar e superas os desafios.

AMBIENTE E CULTURA VENCEDORA

Todos os elementos mencionados e muitos outros que poderíamos também citar, devem estar alinhados para criar um ambiente e uma cultura vencedora dentro da organização. Devemos focar nos objetivos, nas metas, nos recursos que dispomos para vencermos as dificuldades, que muitas vezes são apenas passageiras. Devemos afastar qualquer sensação de fragilidade ou de medo de enfrentamento das situações. Pelo contrário, devemos criar em todos o espírito da superação e da vitória. A conquista acontecerá se o moral estiver alto e as pessoas preparadas racionalmente e emocionalmente para lidar com o ambiente desafiador. Com o espírito de time fortalecido e preparado, será impossível haver dificuldades que não possam ser superadas para se atingir os objetivos desejados.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A REVOLUÇÃO DIGITAL: UM DESAFIO PARA PESSOAS E EMPRESAS


Quanto mais eu leio a respeito da revolução digital, mais me dou conta de que a forma de se fazer as coisas mudou, e irá mudar ainda mais. Isso não quer dizer que a indústria irá acabar, ou a agricultura, mas tudo que será feito em qualquer área do conhecimento ou do trabalho, será feito de forma diferente. É só pegarmos como exemplo o que fazemos nas nossas redes sociais. No passado a nossa maneira de relacionamento era muito mais pessoal, geográfica, limitada e restrita a um grupo muito menor de pessoas. O que mudou com as plataformas digitais? Não foi o nosso relacionamento em si, mas a abrangência e a velocidade dos nossos contatos. Ou seja, hoje com as redes sociais conseguimos nos conectar com mais pessoas e com muito mais intensidade. A essência dos nossos relacionamentos permanece a mesma, mas a forma de fazê-lo mudou radicalmente nos últimos anos. Podemos hoje nos conectarmos com pessoas em qualquer parte do mundo, com amigos de infância, ou de épocas remotas de colégio, ou de antigos empregadores, que de outra forma não seria possível. As plataformas digitais trouxeram eficiência e dinâmica na vida, que nos permite esta conexão intensa e abrangente, como nunca vista ou imaginada anteriormente.

Este é apenas um exemplo desta transformação. Neste modelo, a essência é o relacionamento entre as pessoas, que sempre existiu em qualquer época da humanidade. Isso não mudou. O que mudou foi a forma, a intensidade, a velocidade, a eficiência e a riqueza de detalhes possíveis nas redes sociais. De uma certa forma eu arriscaria dizer que, as plataformas digitais estão avançando mais rapidamente na nossa vida pessoal, comparado com a nossa vida profissional. A sensação é de que os benefícios na vida privada parecem mais tangíveis e perceptíveis para as pessoas do que na vida profissional.

É preciso que as Organizações evoluam mais rapidamente e se preparem melhor para este mundo digital. O atual modelo das Organizações ainda reflete muito a era industrial, com processos, procedimentos, forma de trabalhar e que não são mais compatíveis com este novo momento do mundo. A própria forma de se organizarem, de definirem papéis de liderança, de configuração das áreas, etc. refletem o quanto precisam evoluir para se adaptarem a era digital. Isso não quer dizer que os seus produtos estão obsoletos. Precisam evoluir na sua forma de produzir, vender, se relacionar com os colaboradores e fundamentalmente com os seus clientes.

Os colaboradores têm uma expectativa de que dentro das Organizações as conexões funcionem da mesma forma que as suas redes sociais. A velocidade das decisões e das conversas devem ser similares ao que acontece hoje nas redes, nos what´s up da vida e por aí afora. Decisões hierárquicas que dependem de reuniões enfadonhas, que percorrem vários níveis de decisões, não tem mais nada a ver com este cenário. As empresas precisam rever a sua própria estrutura organizacional, que certamente não corresponde a este novo momento da humanidade e muito menos do futuro. Os seus clientes, além dos seus colaboradores, também esperam que as suas necessidades sejam atendidas de uma forma parecida com a sua vida pessoal. Cada vez mais as pessoas compram produtos via internet, com rapidez, com informações detalhadas online, com pouquíssima interferência humana, em coisas básicas. Quantos itens são possíveis de serem comprados, sem a necessidade de se ir a uma loja, ou mesmo a um banco. Será que as empresas estão preparadas para isso? Será que os seus colaboradores estão treinados nessas plataformas digitais para entregarem soluções aos seus clientes? E a liderança? Muitos artigos, livros e matérias que eu leio sobre liderança me parecem ainda voltados para o século passado.

O quanto os programas de liderança e de desenvolvimento de pessoas está verdadeiramente focado neste novo mundo digital, de plataformas de relacionamentos virtuais, de soluções rápidas, e autonomia das pessoas e dos clientes?

Deixo aqui a provocação para esta reflexão…Será que estamos organizados, treinados e preparados para o mundo digital?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PERSPECTIVAS PARA A ECONOMIA E TRABALHO EM 2017


De alguma forma existem certas vantagens em ser Economista e trabalhar por muitos anos na área de Gestão de Pessoas. Dá para entender um pouco, ou assimilar de uma forma mais pragmática, o que acontece na Economia e no mundo do trabalho.

A sequência de fatos negativos que temos tido na Economia, começa em 2014 com estagnação, e depois seguida de recessão em 2015 e 2016. A pergunta que fica no ar é a seguinte: Em 2017 teremos mais um ano de recessão ou estagnação? Os mais positivos falam que a Economia parou de “piorar” e que possivelmente teremos um novo ano com ligeiro crescimento, ou quase uma estagnação novamente. Os mais céticos, e porque não dizer os pessimistas, acreditam que teremos mais um ano de recessão. A verdade é que estas duas perspectivas não estão erradas. Será mesmo entre a estagnação e a recessão que possivelmente viveremos no próximo período anual.

A Economia funciona concretamente baseada em três vetores críticos que são: a inflação, os juros e a taxa de câmbio. Este é o tripé de indicadores macro, que nos dá informações ou pistas de como o paciente, neste caso a Economia, está se comportando. Outro indicador que cada vez mais demonstra o seu total poder, é o comportamento psicológico das pessoas. Este é um indicador que, de certa forma, é desprezado pela maioria dos analistas, mas que tem um impacto enorme na Economia. É muito simples explicar: há uma diferença em conceito muito grande entre a pessoa poupar recursos, versus restringir consumo para poupar recursos. O primeiro é oriundo do que sobra da renda das pessoas depois de elas utilizarem parte da renda no consumo. Esta “sobra” geralmente é destinada à pequenos investimentos para prevenir o futuro, ou compras especiais, como troca ou compra de moradia, carro etc. O segundo é relativo à restrição do consumo, quando as pessoas param de consumir ou diminuem o seu poder de compra por medo de perder a sua renda no futuro (desemprego), ou mesmo por conta da diminuição de postos de trabalho. Esta redução do consumo provoca queda na produção, que por consequência provoca desemprego, e isso vira um círculo vicioso difícil de ser quebrado. Este tem sido o cenário de uma forma bastante simplista do que temos vivido nestes últimos três anos, com grandes chances de se repetir em 2017.

Adicionalmente a este cenário, existem outros dois grandes influenciadores da Economia, que são: os gastos do governo, e a estabilidade política e institucional do País. De uma forma bem simples, um governo que gasta mais do que arrecada, assim como uma família, tem que pedir dinheiro do mercado, pagando juros atrativos, pois caso contrário as pessoas e os bancos não emprestariam o dinheiro. A outra alternativa é recorrer à emissão de moeda para cobrir os seus déficits que, como todos sabemos, está gigante e fora do controle. Tem um outro agravante: nenhum governo gosta de cortar os seus gastos. Essas duas situações, de emprestar ou emitir dinheiro, são altamente danosas para a Economia. Gera desequilíbrios enormes e produz inflação, que como sabemos, penaliza mais os pobres do que os ricos.

Do ponto de vista político e institucional, estamos vivendo também um pesadelo de escândalos e corrupção sem precedentes na história do nosso país. Em nenhum momento, pelo menos nos últimos 50 anos, vivemos tanta instabilidade e falta de credibilidade interna e externamente. Por isso fomos rebaixados pelas instituições de avaliações internacionais. Este quadro traz um agravante enorme para a Economia, que é a falta de investimentos. Quem irá colocar dinheiro a risco num cenário como este que temos vivido nos últimos anos? O País, ao ser rebaixado, deixa de ser atrativo para investimentos por falta de credibilidade. Por exemplo: os fundos de pensões Americanos são proibidos de investir em países que têm uma classificação como a do Brasil. Este é um dos grandes prejuízos causados pelo ambiente que temos hoje no nosso país. Os escândalos não param de acontecer e há uma competição negativa entre os três poderes da república, que transformaram o Brasil, literalmente numa “repúbliqueta de bananas”.

Dentro deste cenário que, mais do que negativo, é realista, a melhor recomendação para 2017, é muita cautela. Será um ano para ser administrado na ponta dos dedos, e devemos sim avançar e procurar crescer, mas com muito juízo e precaução. O risco deve ser bastante avaliado, pensado, para que a decisão seja a melhor possível. Se fizermos isso, há grande probabilidade de fazermos uma travessia segura para tempos melhores a partir de 2018.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

PLANEJAMENTO: POR QUE NOS FAZ TANTA FALTA?


De todas as competências necessárias para se ter sucesso, essa talvez seja a maior que nos falte, empresarialmente falando, e arriscaria dizer também culturalmente. Nós Brasileiros, e creio que aqui poderia incluir todos os latinos, não somos muito pacientes para investir tempo em analisar, refletir, ponderar, observar sobre qualquer fato, especialmente os que ainda virão. Nossa natureza é de ação. Gostamos de sair fazendo as coisas, sem refletir muito, pois achamos que desta forma estamos sendo produtivos e eficientes. Ledo engano... O problema é que, quando saímos para ação sem pensarmos muito, vamos nos deparar com uma série de coisas não pensadas ao longo do percurso, que vai nos retardar para alcançar os nossos objetivos, sejam eles quais forem.

Uma boa definição para Planejamento seria: Decidir antecipadamente o que fazer, como fazê-lo, quando fazê-lo e com quem fazê-lo, ou é a função ou a atitude de antecipar o que deve ser feito. Alguns estudiosos deste assunto definem como: Planejamento é a melhor forma de antecipar o futuro....

Algumas características definem a natureza do Planejamento para nos ajudar a ter foco e buscar o resultado desejado. Aí vão algumas destas características:

Deve ser orientado para um objetivo – Ninguém vai planejar algo se não tem um objetivo em mente, seja de natureza pessoal ou profissional. O objetivo desejado define de alguma forma o resultado esperado.

Tem função básica de organizar e priorizar – Quando se tem um objetivo idealizado, na maioria das vezes, existem vários caminhos ou maneiras de alcança-lo. Também é importante saber o que necessitamos fazer para sair em busca deste objetivo. Precisamos organizar desde os nossos pensamentos até as nossas ações para termos o maior foco possível. Temos que saber priorizar o que é crítico e o que é importante.

Deve ser dinâmico – Nós sabemos que única coisa permanente nesta vida é a mudança. Portanto o nosso planejamento dever ter a flexibilidade necessária para que sejam feitos ajustes ou aperfeiçoamentos ao longo do caminho. Até para poder antecipar eventuais obstáculos que possam ocorrer, e que estes sejam rapidamente superados.

É um processo contínuo – O bom planejamento deve ser uma ação dinâmica e viva, e não algo que foi realizado e que ficou rapidamente defasado ou desatualizado, não representando mais, uma antecipação do futuro. Como tudo muda e a vida é muito dinâmica, temos que assegurar que o nosso planejamento seja um processo contínuo e não uma ação em si só.

Faz enxergar adiante, antecipar – Essa talvez seja a maior importância do planejamento: antecipar os acontecimentos permitindo dessa forma que as pessoas se preparem melhor para tomadas de decisões, ou mesmo de ações que serão necessários ao longo do tempo. Planejar é fotografar o futuro e traze-lo para perto, para que se possa observar e se preparar para o que virá pela frente.

Envolve escolhas – Esta também é uma característica muito importante do planejamento. Muitas vezes aquilo que desejamos realizar poderá ser feito de várias maneiras e formas. Portanto, analisar cuidadosamente essas alternativas nos levará a escolher o melhor caminho, e o que trará os melhores resultados. O planejamento nos permite minimamente controlar o nosso destino, e não o contrário, o destino nos controlar.

É direcionado para um resultado com eficiência – Por último e não menos importante, o planejamento sempre terá como objetivo um resultado esperado. E neste sentido devemos procurar alcança-lo da forma mais eficiente possível. Caso contrário iremos gastar recursos e energia desnecessários que poderão comprometer o nosso resultado desejado. 

Os benefícios do planejamento são enormes. Abaixo segue apenas um resumo destes benefícios:

- Contribui para alcançar o objetivo

- Gera eficiência

- É um roteiro para ações

- Define premissas

- Racionaliza o tempo

- Avalia alternativas

- Identifica obstáculos

- Assegura o comprometimento

- Gera flexibilidade

- Foca nos resultados esperados