terça-feira, 20 de junho de 2017

DA GESTÃO DE RH PARA A GESTÃO DO TRABALHO


O mundo do emprego e do trabalho está em plena transformação. A forma como o trabalho ainda hoje é organizado, tem muito a ver com os processos industriais do século passado: processos padrões e repetitivos. Para lidar com estes processos é necessário empregar pessoas que cuidarão dos mesmos, de uma forma regular e constante, sem grandes alterações, apenas com algumas melhorias de eficiência e produtividade ao longo do tempo. Esse é o modelo industrial que inspirou também muitos processos em outras áreas de trabalho do ponto de vista organizacional, inspirado também nos modelos militares e religiosos, que para funcionar precisam ser mais hierarquizados e departamentalizados.

Com o advento da era da informação, muitas coisas começaram a mudar. A tecnologia começou a substituir a mão de obra em algumas funções e áreas de trabalho, notadamente com muito mais qualidade e produtividade. Eu me recordo quando trabalhei na indústria automobilística na década de 70, que uma empresa como a VW tinha em São Bernardo do Campo em torno de 36 mil empregados, com uma produção x de carros. Hoje deve ter menos de 10 mil empregados para uma produção muitas vezes superior ao daquela época. Apenas como exemplo do efeito da tecnologia na substituição de mão de obra. Obviamente que, num primeiro momento, isso é muito ruim para o emprego, porém ao longo do tempo isso se reverte em uma qualificação maior das pessoas, para funções mais nobres e melhor remuneradas. Além disso, não é possível parar o progresso, mesmo que a sociedade num primeiro momento pague um preço alto, do ponto de vista do emprego.

Essas mudanças já obrigaram a gestão do RH, a mudar de forma significativa o seu modelo de gestão. Até o nome do Gestor de RH, que era até então chamado de Gestor de Pessoal, depois Gestor de Relações Industriais, evoluiu para Gestor de Recursos Humanos. Notem o nome que se dava na década de 70 para o Gestor de Pessoas. Era Gestor de Relações Industriais. O fator humano de alguma forma era retratado como um recurso industrial, quase equivalente aos outros recursos materiais. Não é a toa que nesta época explodem os movimentos sindicais. A medida que a tecnologia foi avançando, o trabalho foi ganhando mais complexidade e exigindo das empresas uma maior sofisticação na gestão de pessoas. Houve uma diminuição do volume de colaboradores, entretanto houve também uma maior qualificação das pessoas para as posições restantes.

 Com isso, buscar os novos talentos, desenvolve-los, mantê-los e retê-los, tornou-se muito mais complexo para as organizações. Para atender esta nova demanda, aliado ao progresso econômico da época, a área de Recursos Humanos teve que fazer um upgrade e evoluir para um novo patamar de qualificação.

Este ciclo da era da informação, segundo alguns autores, se encerrou no início do ano 2000, e uma nova era tecnológica se iniciou a partir deste momento, que está sendo conhecida com a Era Digital. Estamos apenas no seu início, mas já percebemos claramente as mudanças e inovações que isto está trazendo.

Com este avanço da era digital, as formas de trabalho também estão de modificando de forma revolucionária. Poderíamos dizer que hoje não é necessário que as pessoas estejam fisicamente num escritório, tendo em vista que é possível se conectar e trabalhar de qualquer lugar no planeta. O custo de deslocamento nos grandes centros, além do custo de manutenção dos escritórios, em breve fará com que as pessoas trabalhem das suas casas, ou locais remotos sem necessidade de estarem num lugar coletivo.

Além disso muitas das funções que estão incorporadas na forma de emprego nas organizações, deixarão de existir. O custo é muito alto para manter, especialmente aquelas funções que são mais necessárias em alguns momentos do trabalho. É notável a quantidade de pessoas hoje que trabalham nos seus pequenos negócios prestando serviços para as organizações. A tal da terceirização, consultorias, ou prestação de serviços, seja lá os nomes que queiramos dar. Fica claro que a organização do trabalho, será muito mais no formato de projetos, ou num modelo de como é feito um filme. Trabalhos são agregados em momentos diferentes conforme a necessidade. E isso poderá ser feito de qualquer parte do planeta.

Concluindo, a gestão do trabalho seja qual for o formato ou o processo será mais crítico do que a gestão de recursos humanos como conhecemos hoje. É este novo modelo que irá agregar mais valor ao negócio com muito mais eficiência e resultado. Resta saber se as empresas estão preparadas ou se preparando para este novo mundo.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

QUERO MUDAR DE TRABALHO: O QUE EU PRECISO FAZER?


Quem já não se fez essa pergunta? Quase todos os dias alguém me aborda perguntando sobre isso ou expressando que não está feliz no seu trabalho, ou que deseja mudar de emprego, ou mudar de profissão. Esta inquietação obviamente é mais comum no pessoal mais jovem, que tem um desejo de crescer rapidamente na carreira e alcançar posições de maior relevância dentro da organização. Nada errado ter ambição e desejo de crescer, mas precisa fazer isso de forma sólida e construtiva. As pessoas escolhem o seu trabalho basicamente por três razões: Por necessidade, por carreira ou por vocação. A decisão de querer buscar um novo trabalho, de certa maneira, também passa por esses três pilares.

As vezes o indivíduo busca a mudança de atividade ou de emprego porque precisa ganhar mais e não vê perspectiva no trabalho ou na empresa atual. É uma razão justa e válida, tendo em vista que todo mundo tem o desejo de melhorar na vida, ou mesmo ter ganhos que permitam, no mínimo, pagar as contas no final do mês. A verdade é que a medida que vamos crescendo, outros compromissos aparecem como a constituição de uma família, nascimento de filhos, etc., que geram maiores gastos e, por consequência, a necessidade de aumentar a renda.

Outras vezes as pessoas sentem a necessidade de mudar de emprego ou de função por motivos de melhoria de carreira. É comum, depois de algum tempo, a sensação de que não está mais se desenvolvendo ou progredindo naquela atividade ou naquela organização, e começa o desejo de mudar. Nos tempos de hoje, que tudo muda muito rápido, os jovens têm uma preocupação grande em se desenvolver rapidamente, pois sabem que a sua empregabilidade vai depender do seu preparo e aumento de competência. Se a pessoa está numa empresa ou num trabalho onde não tem mais desafio, ou percebe que a sua carreira está estagnada, é muito válido pensar em mudança. A acomodação numa ocupação ou numa empresa, pode custar caro no longo prazo. O indivíduo vai ficando tão desatualizado que quando se dá conta disso, já é tarde. O mundo é competitivo, e para acompanhar esta competição a pessoa deve estar sempre se desenvolvendo e se atualizando.

Se a pessoa estiver numa empresa onde está tendo desenvolvimento, e crescimento de carreira, deve procurar investir mais no seu trabalho nesta empresa. Há uma sensação especialmente nos mais jovens, que para melhorar de vida tem que mudar de emprego. Isso ocorre sim, quando a empresa não está cuidando bem dos seus talentos. Existem empresas que são muito bem gerenciadas e que oferecem crescimento profissional para as pessoas talentosas. Neste caso não há necessidade de buscar algo fora, até porque, mudar de empresa oferece oportunidade e riscos.

Por último e não menos importante, falarei do caso da pessoa que teve a felicidade e a oportunidade de escolher o seu trabalho por vocação. Ela gosta tanto do que faz que a sua atividade não representa “trabalho” no conceito de sacrifício, mas quase um passatempo prazeroso. É muito fácil perceber um indivíduo que trabalha por vocação, especialmente em atividade voltadas para o público, como um professor, garçom, ou profissional da saúde. Quando a pessoa escolheu a profissão ou trabalho dessa maneira, deve se assegurar de que onde está trabalhando ofereça a oportunidade para exercer plenamente essa sua “vocação”. Se a empresa não possibilita este ambiente de trabalho, é plausível que a pessoa busque outra organização para ter mais oportunidades e realizações.

Em todas essas situações, a mudança de trabalho ou de emprego deve ser feita de forma racional, refletindo os prós e contras e comparando a circunstância atual com o cenário futuro. Tem muita gente que toma esse tipo de decisão de forma emocional, porque se aborreceu com um chefe ou com algum episódio dentro da empresa, e o risco é tomar uma decisão precipitada e se arrepender depois. Muita calma nessa hora, especialmente nos momentos de crise, onde existe uma escassez de oportunidades de trabalho. Para quem não nasceu em berço de ouro, o maior patrimônio é o seu trabalho, pois este será o gerador dos bens materiais, das realizações profissionais e pessoais.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

QUER SER INOVADOR? OLHE E OUÇA TUDO AO SEU REDOR


Não percebemos, mas as respostas para a inovação ou para a criatividade estão à nossa volta. Isso mesmo... Uma das principais características das pessoas inovadoras, é estar antenada em tudo. Percebem necessidades que a maioria das pessoas não conseguem enxergar. Qualquer coisa ou situação é motivo de inspiração para que elas busquem uma solução, um produto novo ou um serviço.

Historicamente todas as grandes invenções surgiram exatamente da mesma forma. A lamparina gerou a lâmpada, a carruagem gerou o automóvel, o mesmo acontecendo com a eletricidade, o rádio, o telefone, a televisão e um mundo de coisas. A inovação provoca a transformação dos hábitos e dos comportamentos de uma maneira muito forte. É só observarmos o que aconteceu nos últimos 20 ou 30 anos com o advento do telefone celular, ou dos computadores pessoais. Não havia uma necessidade declarada por essas coisas, mas bastou alguém identificar o benefício delas e hoje não nos imaginamos viver sem estes produtos. O conceito do telefone já existia, o conceito da transmissão sem fio no radio e na TV também já existiam. Faltava apenas o Observador/Inovador dessas coisas juntar esses conceitos e criar um novo e revolucionário produto chamado: telefone celular.

A sensação que se tem é que, para inovar, a pessoa precisa ser muito criativa, genial, quando na verdade a maior virtude que ela precisa ter é ser um observador da vida, das coisas que já existem e “voilá”!! É assim que os grandes inventos são idealizados, e depois obviamente com o tempo aperfeiçoados e melhorados. A partir de uma necessidade ou de um desejo, pode surgir do nada coisas maravilhosas para melhorar a vida humana.

Essa é outra característica importante da Inovação. Ela tem que produzir algo que vá melhorar a vida humana, através dos benefícios que produz para as pessoas. A tecnologia que temos hoje ajuda de forma exponencial para que outras coisas inovadoras possam surgir e trazer estes benefícios desejados. Um bom exemplo disso foi a evolução dos computadores de mainframe - que precisavam ser operados por especialistas em tecnologia da informação - para os computadores pessoais, que podem ser operados por qualquer pessoa. Hoje qualquer indivíduo que não sabe usar uma ferramenta como essa é considerada “analfabeta tecnológica”. As inovações trouxeram a possibilidade da conexão de todas essas maquinas em rede, que conhecemos por internet.

Dá para imaginar os benefícios que estas novidades, e especificamente a internet, trouxeram para a humanidade? Quantas coisas foram possíveis de realizar a partir dessas mudanças tecnológicas e que agora evoluem para as inovações digitais! É um passo adiante no aperfeiçoamento, que trará muitos benefícios para as pessoas em todos os campos da atividade humana.

Vivemos um tempo em que os avanços tecnológicos fruto dessas descobertas, estão se desenvolvendo de forma exponencial, na solução e criação de outras coisas mais revolucionárias. É só olharmos o que aconteceu nos últimos anos no sistema bancário. Praticamente não há necessidade alguma de se ir a uma agência bancária nos dias de hoje. Só algumas pequenas coisas precisam ser resolvidas de forma presencial, tudo o mais pode ser feito de forma digital via internet.

Estamos em plena era da Inovação em todos os campos. Na área de saúde, os avanços que ocorreram nos últimos anos também cresceram exponencialmente. Poder sequenciar um DNA de um ser humano ou de uma planta através do uso de tecnologia, trouxe avanços e benefícios para a humanidade, que ainda não conseguimos mensurar.

É muito interessante notar que os jovens de hoje, parecem vir com um chip da Inovação embutido. São perspicazes por excelência, e muito atentos a criar produtos e serviços que possam contribuir para o bem-estar das pessoas. Querem trilhar o caminho das descobertas, e não os caminhos já percorridos ao longo dos anos. E o melhor, não precisam ser gênios para fazerem isso, mas observadores e empreendedores que têm a inovação como DNA.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CORAGEM E RESILIÊNCIA: PORQUE PRECISAMOS DELAS?


Estamos vivendo momentos bastante conturbados no Brasil. A instabilidade Política está contaminando de forma perversa a Economia e isso resulta em recessão, desemprego e falta de perspectiva para o futuro. Todos os dias alguém me pergunta se já estou percebendo uma melhora na economia e nos negócios. Sinceramente, respondo sempre que sim, e se não está melhorando, pelo menos parou de piorar. No fundo nem eu mesmo sei se parou de piorar, mas pelo menos tento passar alguma esperança de dias melhores para as pessoas.

Fico pensando nos milhares de indivíduos que trabalham nas organizações Odebrecht, JBS, e outras envolvidas nestes escândalos de corrupção. São pessoas comuns, honestas, que dependem do seu trabalho para viver. Não foram elas as causadoras do que está acontecendo. Foram os seus dirigentes que fizeram isso: destruíram o orgulho dessas pessoas de serem parte destas organizações. São pais de família que dependem deste emprego para viver e pagar as suas contas.

Fico imaginando o trabalho que os Líderes dessas organizações estão tendo para manter o clima sob controle e motivar as pessoas a continuarem produzindo e trabalhando normalmente. Com certeza as áreas de Recursos Humanos estão se desdobrando para ajudar as lideranças e os próprios colaboradores para manterem o foco, e seguir adiante.

Existem momentos na vida, como este que estamos retratando, que requer das pessoas Coragem e muita Resiliência. Isso vale para todos nós que estamos sofrendo com as más noticias e também com a economia, como também para todos os colaboradores dessas organizações. Precisamos de Coragem para enfrentar todos os desafios que a vida nos apresenta. Essa é uma característica das pessoas vencedoras. Em nada nos ajuda ficar sofrendo, nos acovardando em vez de enfrentarmos o que temos que fazer para continuar ou mudar o estado das coisas. Não há milagre. Cada um tendo arrojo para fazer a sua parte, a somatória de todos, é que fará a diferença. Não é só no momento das crises que precisamos desta habilidade. É necessário ter este sentimento ou este comportamento todos os dias das nossas vidas, pois em maior ou menor grau de dificuldade, sempre teremos grandes desafios para enfrentar.

Enquanto a coragem nos leva para frente, para enfrentarmos os desafios, os problemas, e seguirmos adiante, precisamos na outra ponta da Resiliência para suportarmos essas dificuldades. Esta é qualidade de aguentar o tranco mesmo nos momentos em que muitas vezes não vemos uma solução clara no horizonte. Não podemos nos desesperar ou perder o controle quando não encontramos de imediato uma solução para os nossos problemas. Muitas vezes as provações se estendem mais do que desejamos. É como se estivéssemos numa corrida de maratona. Começa relativamente bem, mas a medida que o tempo e a distância vão passando o apuro vai aumentando. Quando se chega próximos dos 25 ou 30 Km da corrida, o cérebro começa a querer desistir antes do corpo. O percurso só será cumprido por aqueles que obviamente, além do arrojo, possuem dentro de si a resiliência para superar todas as adversidades de uma corrida de longa distância.

Com coragem, e resiliência é sim possível superar momentos de grandes dificuldades e chegar ao resultado almejado. É disso que precisamos neste momento. Não será a primeira e nem a ultima vez que precisaremos desta combinação de habilidades para chegarmos aos nossos propósitos com sucesso. A alternativa oposta não resolve os nossos problemas e muito menos nos ajuda a alcançar os nossos objetivos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

GESTÃO DE PESSOAS PARA O NEGÓCIO


Participo em muitas reuniões de RH, sejam em empresas, grupos informais, associações etc. e confesso que fico um pouco impaciente quando o foco ou a conversa fica centrada na gestão comportamental. Talvez a minha formação em Economia me induza a pensar sempre no resultado econômico ou financeiro que as ações numa empresa devam produzir. Podemos discutir todos os tipos de processos ou ferramentas de gestão de pessoas, mas no final do dia, o que realmente interessa para uma organização empresarial com fins lucrativos, é se estão agregando ou não valor ao negócio.

Recentemente estão em discussão e revisão os processos de avaliação de desempenho. As empresas estão concluindo que os processos existentes até agora, não funcionam mais. Na verdade, nunca funcionaram porque as empresas nunca investiram tempo e recursos para fazer o processo ser compreendido e praticado pelas pessoas. Fiz ao longo da minha vida profissional várias auditorias nesta ferramenta e francamente, é muito ruim o que eu encontrei nas organizações. Vou dar um exemplo: um ponto chave do processo é o Estabelecimento de Metas e Objetivos. Quando verificamos nas empresas como as pessoas escrevem as suas metas e objetivos, dá vontade de chorar. São verdadeiros tratados descritivos, sem objetividade, impossível de ser mensurado. Claro que um processo com esta qualidade só pode ter um baixo resultado. Outra coisa que noto é que há muitos anos as empresas confundem Avaliação do Resultado com a Avaliação do Desempenho. Objetivamente olhando para trás, as empresas precisam avaliar os resultados que a pessoa produziu. Olhando para a frente a empresa precisa avaliar o Desempenho e o Desenvolvimento da pessoa, para que possa melhorar os seus resultados no futuro. Parece bem lógico o processo, porém na realidade o que encontramos é uma verdadeira mistura e falta de entendimento destes conceitos.

Por esta razão as empresas estão começando a abandonar o processo atual de Avaliação de Desempenho, mas nada funcionará conforme o desejado se não ficar bem claro o objetivo e a proposta do processo. Estabelecer metas e prioridades para o trabalho é cada vez mais crítico diante da avalanche de solicitações que as pessoas têm numa empresa. Avaliar os resultados também é crítico, pois a somatória de todos é que dará o resultado da empresa. Avaliar o desempenho e cuidar do desenvolvimento também é crítico para assegurar a melhoria do trabalho, aumento da eficiência, da produtividade e em última análise, o resultado futuro da empresa.

Os desafios econômicos e financeiros das organizações são cada vez maiores e mais complexos e a gestão de pessoas precisa estar alinhada e preparada para contribuir com a organização para a melhoria do resultado. Comportamento é uma parte desta equação, mas precisamos trabalhar muito mais e melhor nos processos e nas atividades agregadoras de valor. Nestes últimos 30 anos vejo muito pouca criatividade na área de remuneração, que tem um potencial enorme para influenciar os resultados. Continuamos com os mesmos processos, e aliás com muito pouca gente que de fato entende deste assunto. O potencial da remuneração variável, alinhada ao resultado do negócio, pode ser uma ferramenta poderosa para incentivar o aumento de resultados, entretanto poucas iniciativas agressivas ou inovadoras se vêm no mercado. Precisamos ter gestores de RH e de pessoas com um DNA de negócios ou financeiros mais aguçados e que consigam fazer a tradução das necessidades do negócio para os processos de RH.

As empresas precisam urgentemente rever os seus processos de gestão de RH, e verificar quais estão agregando valor, seja pelo aumento da receita ou redução de custo, ajudando nos resultados da organização. Tudo aquilo que é feito e não agrega valor, deveria ser revisto e eliminado, exceto aquelas atividades que, por força de lei, precisam ser mantidas e cumpridas. Este é um fardo que as empresas no Brasil infelizmente têm que carregar. Aliás com um custo altíssimo.

Os gestores de pessoas em geral precisam ser também treinados e preparados para serem melhores gestores de pessoas, e compreenderem a importância do tema para gerar resultado. A gestão de pessoas não deve ser apenas uma atividade administrativa ou cuidadora de pessoas per si, mas sim uma gestão de negócios como outra qualquer. Sim, é possível fazer uma gestão de pessoas para o resultado, cuidando para que estas possam desempenhar melhor e fazerem o seu trabalho motivados, se desenvolvendo e criando oportunidades de crescimento de carreira.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

BENVINDO AO MUNDO BIPOLAR: ONLINE E OFFLINE


A demanda para o profissional “bipolar” parece aumentar dia a dia. A sensação que se tem, nesta era digital em que vivemos, é que tudo se resume a uma pessoa “online”, mas na verdade precisamos cada vez mais nos prepararmos para sermos as duas coisas. Por exemplo: O aplicativo online para buscar um taxi, não elimina a existência do próprio taxi, que é off-line. As compras que fazemos via internet no Amazon, ou em qualquer outro aplicativo, não elimina ou substitui o bem a ser adquirido através dessas ferramentas. Eu poderia citar uma infinidade de outros exemplos semelhantes aos acima para demonstrar este mundo bipolar que estamos vivendo.

Conversando com as pessoas ou mesmo lendo matérias, artigos, livros, etc., parece que o mundo vai substituir tudo que se produz por algo digital ou em rede. O que não é absolutamente verdade. Vamos continuar precisando de todas as coisas que são feitas, entretanto essas serão obviamente acessadas de outras formas. Claro, outras tecnologias mais modernas criarão produtos que ainda nem conhecemos e nem sabemos que precisaremos deles. Um bom exemplo disso foi o advento do telefone celular. Quem poderia imaginar que há 20 ou 30 anos atrás isso seria bom ou mesmo útil para as pessoas. Dá para imaginar viver sem um celular nos tempos de hoje? Impossível. Esse novo produto foi incorporado em nossas vidas como a roupa que vestimos todos os dias.

Esta transformação foi muito rápida, tanto para as organizações como para as pessoas. Éramos todos off-line até outro dia e de repente nos vemos sendo online e off-line ao mesmo tempo. Nem na zona azul de São Paulo, para estacionar o carro, conseguimos faze-lo off-line. Precisamos de um celular e um aplicativo para pagar o estacionamento, e claro, nos livrarmos da multa.

Recentemente estive na Suíça e fui fazer umas comprinhas no Supermercado. Até aí tudo bem, mas chegou a hora de pagar as compras. Onde está a mocinha do caixa do supermercado? Não tem, ou são poucas. A maioria das pessoas fazem todo o pagamento das suas compras de forma digital, num caixa eletrônico. Muito prático, mas dá uma sensação inicial estranha para quem não está acostumado. Isso obviamente, já ocorre nos postos de gasolina destes países, bem como nos pagamentos de jornais, compra de tickets para trem, metrô, bonde, ônibus, etc. Pobre daquele que não souber lidar como todas estas máquinas eletrônicas nestes países. Este é o mundo que está a nossa volta. Cada vez mais será dessa forma. Todo o processo de acesso a bens e serviços será online ou de forma automatizada, embora todos os produtos e serviços sejam off-line.

As organizações e as pessoas precisam se preparar para lidar com esta bipolaridade de forma intensa e permanente. O que no meu trabalho eu posso transformar em online? O que na minha organização poderá ser feita de forma online para facilitar o acesso aos meus produtos e serviços? Por outro lado eu tenho que continuar desenvolvendo produtos e serviços off-line, pois isso não vai mudar de forma tão radical como imaginamos. Por exemplo: os carros poderão ser guiados sem motoristas, mas não deixarão de ser um carro, ou algum tipo de veículo de locomoção.

Esta transformação na forma de fazer as coisas só está começando, portanto muito mais coisas vem por aí, e todos nós, profissionais ou não, ou empresas teremos que nos preparar cada vez mais para lidar com isso. Até porque, essa transição representa melhoria de qualidade, de produtividade, rapidez, custo, segurança, etc. É bem provável que, num futuro próximo, os aviões não tenham mais pilotos. Serão totalmente automatizados, podendo fazer o seu percurso de forma segura e automática. Talvez até mais segura do que nos dias de hoje.

No futuro  é possível que o mundo fique dividido em empresa e pessoas que se dedicam ao trabalho off-line, e outros que se dedicam ao trabalho online. Certamente as grandes empresas e os grandes empreendimentos terão que atuar de forma bipolar, e para isso terão que buscar pessoas preparadas para lidar com este mundo complexo, porém eficiente e mais produtivo. Todo este avanço tecnológico só trará benefícios para o mundo, e é desta forma que temos que pensar e nos preparar.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

ATITUDE: O MELHOR ANTÍDOTO CONTRA A DIFICULDADE


Só existe um jeito de se enfrentar as dificuldades, e esta arma poderosa se chama: Atitude. Repare nas pessoas que conseguem superar as dificuldades comparadas com outras que sucumbem nestes momentos. É uma força que vem de dentro, que não aceita o problema como resposta, mas sim o resultado, o sucesso, a superação. A atitude tem a ver com a forma como lidamos com as dificuldades e encontramos caminhos para soluciona-las. Não há ninguém nesta vida que não irá enfrentar dificuldades, adversidades, barreiras e problemas. Em maior ou menor grau, todos teremos que lidar com situações adversas, que num primeiro momento parecem não ter solução. Isto vale tanto para a vida pessoal quanto profissional.

Existe um ditado que diz: Você prefere ficar do lado dos que choram ou dos que vendem lenços? Assim é a vida...Temos vivido nos últimos tempos, em função da situação econômica do País, com muitas dificuldades principalmente no campo do trabalho. Encontro pessoas que estão abatidas, medrosas, com uma visão pessimista do seu futuro, especialmente aquelas que, neste contexto, acabaram perdendo o seu emprego.  Outras pessoas também nestas condições, apresentam alto astral, espírito elevado, e esperançosos de que em breve o cenário irá melhorar. A pergunta que fica é a seguinte: Por que pessoas que vivenciam os mesmos problemas, apresentam reações diferentes? O diferencial neste caso, é a Atitude. Enquanto uma se posiciona de forma derrotada, a outra se posiciona como guerreira, em busca de um novo caminho. Isso faz distinção em como enfrentamos esses momentos adversos.

As empresas estão avaliando cada vez mais os aspectos comportamentais no mesmo nível que as competências técnicas, na hora de contratar um profissional. Faz todo sentido. Não adianta um profissional ter muitas competências se não tiver o comportamento e a atitude correta para enfrentar os desafios que certamente o negócio apresentará. A conduta vale muito, e muitas vezes até mais do que a própria competência, especialmente quando estamos analisando a posição de liderança de outros colaboradores. Ter o comportamento certo ajuda a pessoa a encontrar caminhos e buscar soluções para os seus problemas. É isso que as empresas precisam. Gente que enfrenta, luta e supera os desafios buscando o melhor resultado para a organização.

Uma outra expressão que conhecemos e que também exemplifica o que estamos falando: Tem pessoas que olham o copo vazio, e outras que enxergam o copo cheio. Esta expressão tão popular exemplifica o que estamos falando aqui sobre ter a atitude correta. Se a pessoa ficar olhando sempre o copo vazio, obviamente ela estará focada na dificuldade, e isto a fará paralisar e não encontrar soluções para os seus problemas. Por outro lado, a que olhar o copo cheio, se energizará e encontrará forças para enfrentar as dificuldades e alcançar os seus objetivos.

Costumo dizer que faz mais quem quer do que quem pode. Ao longo da minha vida, isso parece ser uma grande verdade. As vezes pessoas com menos recursos, ou até com menos competências conseguem obter mais resultados do que outras que, embora com condições mais favoráveis, ainda assim não alcançam os melhores resultados.

Neste momento no Brasil, o grande problema que temos é a demora da volta da confiança para que as coisas comecem a desenvolver para valer. No fundo o que mais nos afeta atualmente, além dos aspectos econômicos concretos, é a atitude das pessoas, sejam elas consumidores ou investidores. Os consumidores estão receosos, com razão, e a atitude tem sido bastante conservadora, mesmo aqueles que têm recurso para consumir. Do outro lado, por razões semelhantes, a atitude dos investidores também é bastante conservadora, pois receiam colocar dinheiro em um novo negócio, e não obterem os resultados esperados. Parte destes motivos é real, a outra parte é fruto da perda da confiança. A nossa economia só voltará a crescer se as pessoas tiverem a atitude de acreditar que as coisas estão melhorando, e aí sim teremos a confiança de volta.