quarta-feira, 24 de maio de 2017

CORAGEM E RESILIÊNCIA: PORQUE PRECISAMOS DELAS?


Estamos vivendo momentos bastante conturbados no Brasil. A instabilidade Política está contaminando de forma perversa a Economia e isso resulta em recessão, desemprego e falta de perspectiva para o futuro. Todos os dias alguém me pergunta se já estou percebendo uma melhora na economia e nos negócios. Sinceramente, respondo sempre que sim, e se não está melhorando, pelo menos parou de piorar. No fundo nem eu mesmo sei se parou de piorar, mas pelo menos tento passar alguma esperança de dias melhores para as pessoas.

Fico pensando nos milhares de indivíduos que trabalham nas organizações Odebrecht, JBS, e outras envolvidas nestes escândalos de corrupção. São pessoas comuns, honestas, que dependem do seu trabalho para viver. Não foram elas as causadoras do que está acontecendo. Foram os seus dirigentes que fizeram isso: destruíram o orgulho dessas pessoas de serem parte destas organizações. São pais de família que dependem deste emprego para viver e pagar as suas contas.

Fico imaginando o trabalho que os Líderes dessas organizações estão tendo para manter o clima sob controle e motivar as pessoas a continuarem produzindo e trabalhando normalmente. Com certeza as áreas de Recursos Humanos estão se desdobrando para ajudar as lideranças e os próprios colaboradores para manterem o foco, e seguir adiante.

Existem momentos na vida, como este que estamos retratando, que requer das pessoas Coragem e muita Resiliência. Isso vale para todos nós que estamos sofrendo com as más noticias e também com a economia, como também para todos os colaboradores dessas organizações. Precisamos de Coragem para enfrentar todos os desafios que a vida nos apresenta. Essa é uma característica das pessoas vencedoras. Em nada nos ajuda ficar sofrendo, nos acovardando em vez de enfrentarmos o que temos que fazer para continuar ou mudar o estado das coisas. Não há milagre. Cada um tendo arrojo para fazer a sua parte, a somatória de todos, é que fará a diferença. Não é só no momento das crises que precisamos desta habilidade. É necessário ter este sentimento ou este comportamento todos os dias das nossas vidas, pois em maior ou menor grau de dificuldade, sempre teremos grandes desafios para enfrentar.

Enquanto a coragem nos leva para frente, para enfrentarmos os desafios, os problemas, e seguirmos adiante, precisamos na outra ponta da Resiliência para suportarmos essas dificuldades. Esta é qualidade de aguentar o tranco mesmo nos momentos em que muitas vezes não vemos uma solução clara no horizonte. Não podemos nos desesperar ou perder o controle quando não encontramos de imediato uma solução para os nossos problemas. Muitas vezes as provações se estendem mais do que desejamos. É como se estivéssemos numa corrida de maratona. Começa relativamente bem, mas a medida que o tempo e a distância vão passando o apuro vai aumentando. Quando se chega próximos dos 25 ou 30 Km da corrida, o cérebro começa a querer desistir antes do corpo. O percurso só será cumprido por aqueles que obviamente, além do arrojo, possuem dentro de si a resiliência para superar todas as adversidades de uma corrida de longa distância.

Com coragem, e resiliência é sim possível superar momentos de grandes dificuldades e chegar ao resultado almejado. É disso que precisamos neste momento. Não será a primeira e nem a ultima vez que precisaremos desta combinação de habilidades para chegarmos aos nossos propósitos com sucesso. A alternativa oposta não resolve os nossos problemas e muito menos nos ajuda a alcançar os nossos objetivos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

GESTÃO DE PESSOAS PARA O NEGÓCIO


Participo em muitas reuniões de RH, sejam em empresas, grupos informais, associações etc. e confesso que fico um pouco impaciente quando o foco ou a conversa fica centrada na gestão comportamental. Talvez a minha formação em Economia me induza a pensar sempre no resultado econômico ou financeiro que as ações numa empresa devam produzir. Podemos discutir todos os tipos de processos ou ferramentas de gestão de pessoas, mas no final do dia, o que realmente interessa para uma organização empresarial com fins lucrativos, é se estão agregando ou não valor ao negócio.

Recentemente estão em discussão e revisão os processos de avaliação de desempenho. As empresas estão concluindo que os processos existentes até agora, não funcionam mais. Na verdade, nunca funcionaram porque as empresas nunca investiram tempo e recursos para fazer o processo ser compreendido e praticado pelas pessoas. Fiz ao longo da minha vida profissional várias auditorias nesta ferramenta e francamente, é muito ruim o que eu encontrei nas organizações. Vou dar um exemplo: um ponto chave do processo é o Estabelecimento de Metas e Objetivos. Quando verificamos nas empresas como as pessoas escrevem as suas metas e objetivos, dá vontade de chorar. São verdadeiros tratados descritivos, sem objetividade, impossível de ser mensurado. Claro que um processo com esta qualidade só pode ter um baixo resultado. Outra coisa que noto é que há muitos anos as empresas confundem Avaliação do Resultado com a Avaliação do Desempenho. Objetivamente olhando para trás, as empresas precisam avaliar os resultados que a pessoa produziu. Olhando para a frente a empresa precisa avaliar o Desempenho e o Desenvolvimento da pessoa, para que possa melhorar os seus resultados no futuro. Parece bem lógico o processo, porém na realidade o que encontramos é uma verdadeira mistura e falta de entendimento destes conceitos.

Por esta razão as empresas estão começando a abandonar o processo atual de Avaliação de Desempenho, mas nada funcionará conforme o desejado se não ficar bem claro o objetivo e a proposta do processo. Estabelecer metas e prioridades para o trabalho é cada vez mais crítico diante da avalanche de solicitações que as pessoas têm numa empresa. Avaliar os resultados também é crítico, pois a somatória de todos é que dará o resultado da empresa. Avaliar o desempenho e cuidar do desenvolvimento também é crítico para assegurar a melhoria do trabalho, aumento da eficiência, da produtividade e em última análise, o resultado futuro da empresa.

Os desafios econômicos e financeiros das organizações são cada vez maiores e mais complexos e a gestão de pessoas precisa estar alinhada e preparada para contribuir com a organização para a melhoria do resultado. Comportamento é uma parte desta equação, mas precisamos trabalhar muito mais e melhor nos processos e nas atividades agregadoras de valor. Nestes últimos 30 anos vejo muito pouca criatividade na área de remuneração, que tem um potencial enorme para influenciar os resultados. Continuamos com os mesmos processos, e aliás com muito pouca gente que de fato entende deste assunto. O potencial da remuneração variável, alinhada ao resultado do negócio, pode ser uma ferramenta poderosa para incentivar o aumento de resultados, entretanto poucas iniciativas agressivas ou inovadoras se vêm no mercado. Precisamos ter gestores de RH e de pessoas com um DNA de negócios ou financeiros mais aguçados e que consigam fazer a tradução das necessidades do negócio para os processos de RH.

As empresas precisam urgentemente rever os seus processos de gestão de RH, e verificar quais estão agregando valor, seja pelo aumento da receita ou redução de custo, ajudando nos resultados da organização. Tudo aquilo que é feito e não agrega valor, deveria ser revisto e eliminado, exceto aquelas atividades que, por força de lei, precisam ser mantidas e cumpridas. Este é um fardo que as empresas no Brasil infelizmente têm que carregar. Aliás com um custo altíssimo.

Os gestores de pessoas em geral precisam ser também treinados e preparados para serem melhores gestores de pessoas, e compreenderem a importância do tema para gerar resultado. A gestão de pessoas não deve ser apenas uma atividade administrativa ou cuidadora de pessoas per si, mas sim uma gestão de negócios como outra qualquer. Sim, é possível fazer uma gestão de pessoas para o resultado, cuidando para que estas possam desempenhar melhor e fazerem o seu trabalho motivados, se desenvolvendo e criando oportunidades de crescimento de carreira.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

BENVINDO AO MUNDO BIPOLAR: ONLINE E OFFLINE


A demanda para o profissional “bipolar” parece aumentar dia a dia. A sensação que se tem, nesta era digital em que vivemos, é que tudo se resume a uma pessoa “online”, mas na verdade precisamos cada vez mais nos prepararmos para sermos as duas coisas. Por exemplo: O aplicativo online para buscar um taxi, não elimina a existência do próprio taxi, que é off-line. As compras que fazemos via internet no Amazon, ou em qualquer outro aplicativo, não elimina ou substitui o bem a ser adquirido através dessas ferramentas. Eu poderia citar uma infinidade de outros exemplos semelhantes aos acima para demonstrar este mundo bipolar que estamos vivendo.

Conversando com as pessoas ou mesmo lendo matérias, artigos, livros, etc., parece que o mundo vai substituir tudo que se produz por algo digital ou em rede. O que não é absolutamente verdade. Vamos continuar precisando de todas as coisas que são feitas, entretanto essas serão obviamente acessadas de outras formas. Claro, outras tecnologias mais modernas criarão produtos que ainda nem conhecemos e nem sabemos que precisaremos deles. Um bom exemplo disso foi o advento do telefone celular. Quem poderia imaginar que há 20 ou 30 anos atrás isso seria bom ou mesmo útil para as pessoas. Dá para imaginar viver sem um celular nos tempos de hoje? Impossível. Esse novo produto foi incorporado em nossas vidas como a roupa que vestimos todos os dias.

Esta transformação foi muito rápida, tanto para as organizações como para as pessoas. Éramos todos off-line até outro dia e de repente nos vemos sendo online e off-line ao mesmo tempo. Nem na zona azul de São Paulo, para estacionar o carro, conseguimos faze-lo off-line. Precisamos de um celular e um aplicativo para pagar o estacionamento, e claro, nos livrarmos da multa.

Recentemente estive na Suíça e fui fazer umas comprinhas no Supermercado. Até aí tudo bem, mas chegou a hora de pagar as compras. Onde está a mocinha do caixa do supermercado? Não tem, ou são poucas. A maioria das pessoas fazem todo o pagamento das suas compras de forma digital, num caixa eletrônico. Muito prático, mas dá uma sensação inicial estranha para quem não está acostumado. Isso obviamente, já ocorre nos postos de gasolina destes países, bem como nos pagamentos de jornais, compra de tickets para trem, metrô, bonde, ônibus, etc. Pobre daquele que não souber lidar como todas estas máquinas eletrônicas nestes países. Este é o mundo que está a nossa volta. Cada vez mais será dessa forma. Todo o processo de acesso a bens e serviços será online ou de forma automatizada, embora todos os produtos e serviços sejam off-line.

As organizações e as pessoas precisam se preparar para lidar com esta bipolaridade de forma intensa e permanente. O que no meu trabalho eu posso transformar em online? O que na minha organização poderá ser feita de forma online para facilitar o acesso aos meus produtos e serviços? Por outro lado eu tenho que continuar desenvolvendo produtos e serviços off-line, pois isso não vai mudar de forma tão radical como imaginamos. Por exemplo: os carros poderão ser guiados sem motoristas, mas não deixarão de ser um carro, ou algum tipo de veículo de locomoção.

Esta transformação na forma de fazer as coisas só está começando, portanto muito mais coisas vem por aí, e todos nós, profissionais ou não, ou empresas teremos que nos preparar cada vez mais para lidar com isso. Até porque, essa transição representa melhoria de qualidade, de produtividade, rapidez, custo, segurança, etc. É bem provável que, num futuro próximo, os aviões não tenham mais pilotos. Serão totalmente automatizados, podendo fazer o seu percurso de forma segura e automática. Talvez até mais segura do que nos dias de hoje.

No futuro  é possível que o mundo fique dividido em empresa e pessoas que se dedicam ao trabalho off-line, e outros que se dedicam ao trabalho online. Certamente as grandes empresas e os grandes empreendimentos terão que atuar de forma bipolar, e para isso terão que buscar pessoas preparadas para lidar com este mundo complexo, porém eficiente e mais produtivo. Todo este avanço tecnológico só trará benefícios para o mundo, e é desta forma que temos que pensar e nos preparar.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

ATITUDE: O MELHOR ANTÍDOTO CONTRA A DIFICULDADE


Só existe um jeito de se enfrentar as dificuldades, e esta arma poderosa se chama: Atitude. Repare nas pessoas que conseguem superar as dificuldades comparadas com outras que sucumbem nestes momentos. É uma força que vem de dentro, que não aceita o problema como resposta, mas sim o resultado, o sucesso, a superação. A atitude tem a ver com a forma como lidamos com as dificuldades e encontramos caminhos para soluciona-las. Não há ninguém nesta vida que não irá enfrentar dificuldades, adversidades, barreiras e problemas. Em maior ou menor grau, todos teremos que lidar com situações adversas, que num primeiro momento parecem não ter solução. Isto vale tanto para a vida pessoal quanto profissional.

Existe um ditado que diz: Você prefere ficar do lado dos que choram ou dos que vendem lenços? Assim é a vida...Temos vivido nos últimos tempos, em função da situação econômica do País, com muitas dificuldades principalmente no campo do trabalho. Encontro pessoas que estão abatidas, medrosas, com uma visão pessimista do seu futuro, especialmente aquelas que, neste contexto, acabaram perdendo o seu emprego.  Outras pessoas também nestas condições, apresentam alto astral, espírito elevado, e esperançosos de que em breve o cenário irá melhorar. A pergunta que fica é a seguinte: Por que pessoas que vivenciam os mesmos problemas, apresentam reações diferentes? O diferencial neste caso, é a Atitude. Enquanto uma se posiciona de forma derrotada, a outra se posiciona como guerreira, em busca de um novo caminho. Isso faz distinção em como enfrentamos esses momentos adversos.

As empresas estão avaliando cada vez mais os aspectos comportamentais no mesmo nível que as competências técnicas, na hora de contratar um profissional. Faz todo sentido. Não adianta um profissional ter muitas competências se não tiver o comportamento e a atitude correta para enfrentar os desafios que certamente o negócio apresentará. A conduta vale muito, e muitas vezes até mais do que a própria competência, especialmente quando estamos analisando a posição de liderança de outros colaboradores. Ter o comportamento certo ajuda a pessoa a encontrar caminhos e buscar soluções para os seus problemas. É isso que as empresas precisam. Gente que enfrenta, luta e supera os desafios buscando o melhor resultado para a organização.

Uma outra expressão que conhecemos e que também exemplifica o que estamos falando: Tem pessoas que olham o copo vazio, e outras que enxergam o copo cheio. Esta expressão tão popular exemplifica o que estamos falando aqui sobre ter a atitude correta. Se a pessoa ficar olhando sempre o copo vazio, obviamente ela estará focada na dificuldade, e isto a fará paralisar e não encontrar soluções para os seus problemas. Por outro lado, a que olhar o copo cheio, se energizará e encontrará forças para enfrentar as dificuldades e alcançar os seus objetivos.

Costumo dizer que faz mais quem quer do que quem pode. Ao longo da minha vida, isso parece ser uma grande verdade. As vezes pessoas com menos recursos, ou até com menos competências conseguem obter mais resultados do que outras que, embora com condições mais favoráveis, ainda assim não alcançam os melhores resultados.

Neste momento no Brasil, o grande problema que temos é a demora da volta da confiança para que as coisas comecem a desenvolver para valer. No fundo o que mais nos afeta atualmente, além dos aspectos econômicos concretos, é a atitude das pessoas, sejam elas consumidores ou investidores. Os consumidores estão receosos, com razão, e a atitude tem sido bastante conservadora, mesmo aqueles que têm recurso para consumir. Do outro lado, por razões semelhantes, a atitude dos investidores também é bastante conservadora, pois receiam colocar dinheiro em um novo negócio, e não obterem os resultados esperados. Parte destes motivos é real, a outra parte é fruto da perda da confiança. A nossa economia só voltará a crescer se as pessoas tiverem a atitude de acreditar que as coisas estão melhorando, e aí sim teremos a confiança de volta.

quarta-feira, 29 de março de 2017

A EVOLUÇÃO ESTÁ NA TRANSFORMAÇÃO E NÃO NA MUDANÇA


Se por analogia observarmos o que acontece com a borboleta, rapidamente entenderemos a diferença entre mudança e transformação. Embora sejam parte do mesmo processo, nem todas as mudanças resultam em transformação. Fala se muito a respeito de mudança, especialmente no mundo empresarial, e o que observamos é que poucas coisas se transformam, mas apenas se modificam. Diferente da borboleta que, de lagarta, se transforma em um lindo inseto voador. Ela não mudou de cor, ou de tamanho, ou do jeito de voar. Ela foi muito além disso...

Se olharmos a natureza ou mesmo a evolução do ser humano, a medida que vamos envelhecendo, não mudamos apenas fisicamente, mas nos transformamos de criança, adolescente, adultos até chegarmos à velhice. Cada fase deste ciclo tem as suas características próprias, seu jeito de ser e agir. O mesmo ocorre na natureza que se transforma todos os anos, possibilitando a sua renovação e longevidade.

Dizem que a única coisa permanente na vida é a mudança. Eu concordo com esta afirmativa. Entretanto, a mudança por si só não nos faz evoluir, apenas fazer as coisas de forma diferente, ou até mesmo as repetindo, porém num formato ou numa concepção distinta. Isso é muito comum nas organizações. Muitas vezes elas fazem coisas que são reinvenções da roda, com nomes alternativos mas que não resultam em nenhuma transformação significativa. Isto gera uma tremenda frustração porque o objetivo desejado não é alcançado. Por exemplo, se estivermos dentro de um ônibus indo em uma determinada direção e mudarmos de banco, a sensação é de mudança, porém a direção e o resultado da viagem serão exatamente os mesmos.

A pergunta que devemos fazer no campo pessoal, e principalmente no profissional é a seguinte: Qual é a transformação que eu desejo, neste processo de mudança? Se fizermos esta pergunta, creio que ficará muito mais claro e objetivo todo e qualquer processo dessa natureza, afinal, o que nos interessa é o resultado do processo e não ele em si próprio, como parece acontecer na maioria das vezes. Existem estatísticas que dizem que 70% das mudanças fracassam. A minha desconfiança é que as pessoas e as organizações se concentram muito no processo, e pouco naquilo que estão buscando como resultado.

Como todos sabemos, as coisas nestes últimos anos têm mudado de forma muito acelerada. Vivemos neste momento a era digital, ou a era da alta tecnologia. O que nos assusta, e talvez mais do que em outras épocas é que as mudanças que estão ocorrendo têm como resultado grandes transformações em nossas vidas. Desde o telefone celular, a TV digital, os IOT, carros sem motorista, pagamento de contas via celular, redes sociais, bancos digitais, e por aí afora. Isto não são simplesmente mudanças, mas transformações das nossas vidas de uma maneira muito ampla. As pessoas hoje podem trabalhar das suas casas, ou de locais remotos com o mesmo nível de produtividade e até as vezes maior do que quando trabalham num local físico. Os trabalhos repetitivos estão sendo todos substituídos e com muitas vantagens pelos robôs. Até na medicina a robótica está sendo utilizada com um nível muito maior de precisão nas cirurgias. Na área da saúde com o advento do sequenciamento do DNA, hoje é possível se prever doenças que uma pessoa poderá ter daqui a 10, 20 ou 30 anos. Com isso, é possível desenvolver medicamento biológicos que corrijam estes potenciais problemas para o futuro. Na agricultura os avanços são gigantes, transformando de forma exponencial a nossa capacidade de produção de alimentos através da biotecnologia.

As novas tecnologias não estão vindo apenas para melhorar a produtividade, mas sim para transformar o modo como as coisas são feitas. Tudo isso assusta num primeiro momento, mas é fundamental para a evolução humana. Como diz um amigo meu: quem não tem visão histórica, tem visão histérica, pois assim caminha a humanidade, desde os seus primórdios. A nossa evolução e a nossa existência dependem da nossa transformação para que a humanidade seja cada vez melhor, mais avançada em benefícios dos seres humanos.


quinta-feira, 16 de março de 2017

O MAIS IMPORTANTE NA VIDA É: TOMAR DECISÃO


Em todos os momentos da nossa vida estamos expostos e sendo exigidos para tomar algum tipo de decisão. As vezes são coisas banais, sem muita importância, mas em outras vezes, podem fazer muita diferença. Desde que nascemos, na infância, na adolescência e principalmente na vida adulta, temos que decidir por algo, seja na vida pessoal, profissional, espiritual, etc.

Por mais que uma situação seja difícil, a solução passará por alguma decisão que devemos tomar, para resolvê-la. Caso contrário, o problema permanecerá como está. Parece simples quando se fala a respeito, mas muitas pessoas sofrem para fazer isso, ficando ansiosas ou mesmo angustiadas, porque não sabem qual atitude tomar e que decisão devem optar em certos momentos da vida. Não é fácil mesmo. Um bom exemplo disso é quando somos jovens e estamos próximos de definirmos qual faculdade fazer, por volta dos 17 ou 18 anos e isso acaba sendo um pesadelo para muitas pessoas. Como decidir qual será a melhor profissão sendo tão jovem?

Depois da faculdade escolhida e o curso concluído, enfrentamos outro processo de decisão bastante difícil. Que carreira escolher? Qual é a melhor empresa para se trabalhar? Como conseguir um bom emprego? É o início da vida profissional e muitas vezes o sucesso da carreira vai depender muito da decisão que tomamos nesse começo de vida de trabalho. Muitas pessoas acabam se perdendo pelo meio do caminho, por decisões tomadas de forma errada na escolha da carreira.

Ao longo da vida profissional muitas coisas ocorrem e os resultados dependerão das decisões que tomamos. Ofertas de trabalho de empresas, possibilidades de novas funções e novos cargos, mesmo dentro da empresa, possibilidades de transferências de locais de trabalho, e assim por diante. Cada momento desses exigirá a nossa capacidade de tomada de decisão. Sem considerar o dia a dia do trabalho que envolve uma infinidade de definições.

Na vida pessoal, da mesma forma, a medida que crescemos, cada etapa nos obriga a fazer opções e tomar decisões. Uma das mais difíceis é quando decidimos casar, ao encontrarmos uma pessoa com quem queremos compartilhar a vida. Depois disso vem as decisões a respeito dos filhos. Cada etapa é uma quantidade enorme de opções que precisam ser feitas.

O tempo vai passando e, tanto na vida profissional como pessoal, cada vez este processo vai ficando mais complexo. No trabalho vamos assumindo mais responsabilidades a medida que vamos ganhando experiência, o que nos leva muitas vezes para posições difíceis de Liderança. Quem chega neste nível, sabe o quanto de tomada de decisão precisará fazer para ter sucesso profissional. Muitas pessoas, e o próprio negócio, dependerão cada vez mais da quantidade e da qualidade dessas definições.

Na vida pessoal igualmente. A medida que os filhos vão crescendo novas responsabilidades e situações vão aparecendo exigindo a nossa capacidade e discernimento para ajuda-los na sua evolução. Muitas outras vidas vão depender da nossa habilidade e competência nesse campo.

Além disso, outras coisas que fazem parte da nossa vida dependerão dessa mesma competência. Como economizar, como investir melhor, compra ou troca de imóveis quando isso é possível, viagens, etc.

Por isso, a coisa mais importante na vida é saber tomar decisão. Quanto mais nos prepararmos para isso, maiores serão as nossas chances de sucesso. Obviamente, desde que façamos opções inteligentes, analisadas, refletidas e ao mesmo tempo assumindo um certo grau de risco, pois toda a decisão tem a possibilidade de dar certo ou não. O mais importante é decidir!

Para finalizar, minha esposa e eu estávamos passeando numa das avenidas principais de Gramado e notamos uma almofada na vitrine de uma loja com os seguintes dizeres: FELICIDADE NÃO É UM SONHO, É UMA DECISÃO!!

quarta-feira, 8 de março de 2017

COMPORTAMENTO DE DONO DO NEGÓCIO, MAS PAGAMENTO COMO EMPREGADO


As empresas sonham e desejam que todos os seus colaboradores se comportem como verdadeiros donos do negócio. Acho o conceito muito bom, porém na hora da remuneração, as organizações querem pagar apenas como empregado. Esta equação fica difícil de fechar, porque a remuneração das pessoas influencia diretamente o seu comportamento. Por exemplo: para o pessoal mais operacional, quando é exigido trabalho extraordinário, estes recebem pelas horas extras adicionais. Muitas vezes o problema das empresas é controlar o excesso dessas horas, para não virar um “hábito” e se incorporar no pagamento das pessoas. A dificuldade neste nível é que muitas vezes, a remuneração é baixa, e os funcionários buscam fazer horas extras para terem um ganho adicional.

Quando analisamos as categorias acima do operacional, que muitas empresas definem de forma equivocada como cargos de confiança para não pagarem horas extras, o comportamento colaborativo, muitas vezes não é tão espontâneo. Ao contrário, quando alguém tem que fazer horas extraordinárias o sentimento é de “exploração”, de abuso por parte da empresa. Não há compensação remuneratória neste caso, mas apenas uma obrigação de colaborar, para ficar bem com o chefe, ou mesmo não correr o risco de perder o emprego por falta de colaboração.

Indo um pouco mais acima, chegamos aos cargos gerenciais, que por sua natureza são considerados efetivamente como “funções de confiança”. Essas posições, quando muito recebem um PLR um pouco mais diferenciado, ou um bônus, que na maioria das vezes é bastante limitado. Só que boa parte do comando das operações das organizações está nas mãos desta liderança intermediária, que fica entre a Direção e as funções operacionais.

Avançando um pouco mais chegamos aos cargos de Direção. Este nível, além da remuneração fixa, tem uma bonificação melhor e outros benefícios em função da competitividade do mercado. Mesmo nestes níveis, os pagamentos têm maior ênfase no salário fixo do que na parte variável, baseada em resultado. Claro, como tudo, há exceções no mercado.

O paradoxo que as empresas vivenciam é que elas desejam que as pessoas tenham comportamento de “donos do negócio”, mas em geral não possuem um sistema de remuneração variável, correspondente a este desejo. Esta situação acontece basicamente em todos os níveis da organização. Como uma empresa pode exigir este comportamento, se muitas vezes o resultado alcançado não será compartilhado de uma forma mais efetiva entre as pessoas? Um verdadeiro dono do negócio, se tiver que virar a noite ou trabalhar no final de semana, o fará porque sabe que o resultado será compensador. Por outro lado, uma pessoa que é empregada, ao fazer a mesma coisa sem resultado adicional na sua remuneração, provavelmente não terá a mesma motivação e comportamento do “dono do negócio”. É uma questão de lógica. Talvez o faça somente por uma motivação pessoal ou mesmo receio de perder o emprego.  

Da mesma forma, podemos fazer uma analogia para algo que está muito na moda. O Engajamento das pessoas. Existem vários fatores que influenciam obviamente o engajamento no trabalho, além da remuneração, mas este último é crítico neste processo. É a mesma coisa se acharmos que um acionista da empresa vai continuar engajado no negócio sem um bom retorno do seu investimento. No caso extremo, o empregado procura outro emprego e o acionista uma outra empresa para investir. Não há diferença alguma.  

Outro dia li nos jornais um CEO de um grande grupo internacional dizendo que os seus executivos não irão receber o bônus este ano. Imaginei que a empresa pudesse ter tido um enorme prejuízo. Não foi isso o que aconteceu. A empresa teve um grande lucro, mas não atingiu a meta que os acionistas ou a direção desejava. Portanto, a empresa teve um bom rendimento, mas quer penalizar os seus executivos, que mesmo numa condição bastante adversa do mercado, trabalharam intensamente para a obtenção deste ganho, apenas ficaram abaixo da meta. Será que isso é justo? Será que essa decisão, fortalece o conceito de “dono do negócio”? Será que não seria mais justo partilhar proporcionalmente com os executivos, considerando o resultado menor? Será que a empresa pensa que se fizer isso, irá desestimular os seus executivos para o próximo ano? Se positivo, deveria avaliar melhor a qualidade dos seus executivos e a sua relação de confiança com eles.

Em resumo, as empresas precisam sair do discurso de “donos do negócio” para efetivamente terem um sistema remuneratório que faça de fato as pessoas se sentirem e serem tratadas como tal. Quando isso acontecer, eu tenho certeza que o comportamento e a atitude dos colaboradores será totalmente diferente e, além disso, o impacto no negócio certamente será muito maior.